Quando o assunto é política eleitoral, todo brasileiro parece ter nascido de sete meses. A pressa – e, em muitos casos, a ansiedade – quase sempre coloca a carroça à frente dos bois.
Embora o processo eleitoral municipal de 2024 ainda esteja recente na memória do eleitor, as conversas sobre as eleições gerais deste ano, que definirão presidente da República, governadores, senadores e deputados estaduais, federais e distritais, já dominam rodas políticas e redes sociais há algum tempo. Boa parte dessas discussões, no entanto, lembra o antigo debate sobre o sexo dos anjos: longas, apaixonadas e, muitas vezes, pouco produtivas.
Encerrado o pleito nacional, inevitavelmente entrará em cena a sucessão municipal, que naturalmente desperta maior efervescência por tratar diretamente da vida cotidiana da cidade, de seus serviços, demandas e identidades locais. Mas essa é uma etapa futura. O momento atual exige outro tipo de reflexão.
O que está em jogo agora é a escolha dos deputados estaduais e federais que efetivamente podem representar Mairiporã na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, em Brasília. Desde a posse do prefeito Aladim, em 2021, essa relação institucional tornou-se mais estreita e produtiva, resultando na chegada de recursos expressivos ao município por meio de emendas parlamentares, que se aproximam da marca de R$ 500 milhões.
Mais do que os valores, houve mudança significativa na cultura eleitoral local. A histórica pulverização de votos – que levava mais de quinhentos candidatos diferentes a receberem sufrágios nas urnas da cidade – enfraquecia qualquer vínculo político e institucional. Sem concentração de apoio, não havia compromisso efetivo com Mairiporã, e o município acabava sem representação real nas esferas estadual e federal.
Nos últimos anos, entretanto, diversos parlamentares passaram a atuar diretamente pela liberação de recursos e investimentos para a cidade. Mesmo em um cenário econômico adverso, somente em 2025 mais de R$ 20 milhões foram destinados aos cofres municipais, resultado concreto desse relacionamento político-administrativo.
Diante desse histórico, será oportuno que o Executivo municipal relembre à população quem foram os responsáveis por viabilizar tais conquistas. A política também se constrói pela reciprocidade institucional. Apoio recebido precisa ser reconhecido – e, quando legítimo, retribuído.
Nos bastidores, comenta-se que Mairiporã poderá ter dois candidatos próprios neste pleito, um estadual e outro federal. Ambos têm consciência das limitações impostas por um colégio eleitoral de cerca de 64 mil eleitores, o que torna improvável uma vitória. O objetivo, ao que tudo indica, não é imediato, mas estratégico: pavimentar o caminho para a sucessão municipal de 2028.
Cabe, portanto, ao eleitor separar projetos pessoais de projetos coletivos. Mais do que discursos ou ambições futuras, o voto deve considerar resultados concretos já entregues à comunidade. Reconhecer o trabalho daqueles que efetivamente contribuíram para o desenvolvimento local não é favor político – é exercício de memória e responsabilidade democrática.
Em tempos de escolhas decisivas, talvez seja justamente isso que falte ao debate eleitoral: menos ansiedade e mais consciência sobre quem, de fato, trabalhou por Mairiporã.