A queda no número de filiados a partidos políticos em Mairiporã reflete um fenômeno que vai muito além das fronteiras do município e se insere em um contexto nacional de desgaste das legendas e descrédito da política institucional. A redução de 2,2% entre 2024 e 2025, com o total de filiados passando de 6.696 para 6.552, é mais um capítulo de um processo contínuo de esvaziamento das estruturas partidárias, observado há pelo menos uma década em todo o País.
Em Mairiporã, o dado chama ainda mais atenção porque a cidade conta com 28 partidos formalmente constituídos, em sua maioria por meio de comissões provisórias, o que por si só já indica fragilidade organizacional. A proliferação de siglas não se traduz em engajamento político real, mas sim em estruturas burocráticas criadas, muitas vezes, apenas para atender à legislação eleitoral e viabilizar candidaturas.
Mesmo os partidos com maior número de filiados — MDB (1.425), PRD (787) e PSDB (454) — não conseguem converter essa base em representatividade política efetiva. O fato de legendas tradicionais como MDB, PSDB e PT não possuírem sequer um vereador na Câmara Municipal é sintomático: o eleitor está cada vez mais distante das siglas e mais próximo de candidaturas personalistas, desvinculadas de programas partidários consistentes.
Esse cenário não é exclusivo de Mairiporã. Em nível nacional, os dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que o número de filiados vem caindo de forma progressiva desde meados da década passada. Em 2016, o Brasil tinha cerca de 16,6 milhões de filiados. Em 2024, esse número já havia recuado para pouco mais de 15,3 milhões, mesmo com o aumento da população e do eleitorado. Ou seja, proporcionalmente, a participação partidária nunca foi tão baixa.
Entre os principais fatores que explicam esse desinteresse estão: Descrédito da classe política: sucessivos escândalos de corrupção envolvendo praticamente todos os grandes partidos corroeram a confiança da população; Enfraquecimento da identidade ideológica: muitas legendas abandonaram programas claros e passaram a atuar de forma pragmática, focadas apenas em alianças eleitorais e ocupação de cargos; Crescimento do personalismo: o eleitor tende a votar em pessoas, não em partidos, reduzindo a importância da filiação como instrumento de participação política; Burocratização dos partidos: para o cidadão comum, filiar-se raramente significa participar das decisões ou influenciar rumos políticos.
O resultado é um sistema partidário cada vez mais inchado em número de siglas, porém esvaziado de militância, debate e mobilização social. Em cidades como Mairiporã, isso se traduz em partidos que existem formalmente, mas não possuem vida política real, funcionando apenas em períodos eleitorais.
Os partidos – AGIR (33 filiados); AVANTE (72); CIDADANIA (75); DC (110); MDB (1.425); MOBILIZA (90); NOVO (15); O DEMOCRATA (25), PCB (11); PCdoB (162); PCO (5); PDT (218); PL (521); PODEMOS (406); PP (450); PRD (787); PRTB (45); PSB (277); PSD (141); PSDB (454); PSOL (73); PT (462); PV (227); REDE (36); REPLUBICANOS (174); SOLIDARIEDADE (113); UNIÃO (141); UP (4). TOTAL: 6.552. (Wagner Azevedo/CJ – Foto: Reprodução)