As relações interpessoais no ambiente de trabalho sempre foram um termômetro silencioso da saúde de qualquer instituição. Ando aprendendo na prática que não basta dominar técnicas, cumprir horários ou entregar resultados. O convívio diário exige algo mais sutil e, ao mesmo tempo, mais decisivo: competência acompanhada de bom senso, proatividade temperada pela empatia, e a capacidade de compreender que trabalhar é, antes de tudo, relacionar-se.
Competência não se resume a diplomas ou certificados pendurados na parede. Ela se revela no modo como se resolve um problema, na responsabilidade com que se assume uma tarefa e na seriedade com que se respeita o trabalho do outro. Um profissional competente entende seu papel, conhece seus limites e, principalmente, não transfere aos colegas aquilo que é de sua responsabilidade.
Isso, por si só, já melhora o ambiente e fortalece qualquer equipe. O tal do bom senso entra como aquele freio invisível que evita desgastes e dor de cabeça. Aquela coisa de saber a hora de falar e, muitas vezes, a sabedoria de silenciar. É compreender que nem todo conflito precisa virar disputa e que diferenças de opinião podem coexistir sem virar embate pessoal.
O bom senso organiza o cotidiano e impede que pequenos ruídos se transformem em grandes problemas. E olha, caro leitor, encontrar quem não se perca no contraditório, tem sido difícil. Mais fácil é pegar pilha e levar tudo para o pessoal.
A proatividade, tão falada e nem sempre praticada, é outro pilar dessas relações. Trata-se da disposição de agir antes que alguém precise pedir, de enxergar soluções onde muitos ainda veem apenas dificuldades. Há quem não resolve um problema e te arrume mais dois.
Profissionais proativos não se escondem atrás de desculpas nem se acomodam na repetição automática das tarefas. Eles entendem que o trabalho é um espaço vivo, em constante movimento, e que crescer junto é sempre mais produtivo do que crescer sozinho.
Já a empatia talvez seja o elemento mais raro e, paradoxalmente, o mais necessário. Colocar-se no lugar do outro, reconhecer limites, respeitar histórias e entender que cada pessoa carrega seus próprios desafios faz toda a diferença. Ambientes onde a empatia é exercida diariamente tendem a ser mais leves, mais humanos e, consequentemente, mais eficientes.
E é justamente nesse conjunto de habilidades que esbarramos em uma dificuldade cada vez mais evidente: encontrar mão de obra qualificada. Quando quer a oportunidade, geralmente as pessoas prometem tudo, mas no cotidiano vão pegando péssimos hábitos. É necessário ser qualificado sim, mas não apenas isso, é preciso que a pessoa esteja preparada para o convívio, para o trabalho em equipe e para a construção coletiva.
Falta gente disposta a aprender, a ouvir, a evoluir junto. Falta, muitas vezes, o entendimento de que o trabalho não é apenas um meio de subsistência, mas também um espaço de formação humana. Dinheiro todo mundo precisa, mas nem sempre quer que chegue acompanhado de esforço.
Investir em relações interpessoais saudáveis é investir em resultados duradouros. É compreender que cidades, instituições e empresas não se constroem apenas com estruturas e sistemas, mas com pessoas. Pessoas capazes, sensatas, proativas e empáticas. Talvez esse seja um dos maiores desafios do nosso tempo, e também uma das maiores oportunidades de transformação.
Eu não desisti ainda. Para mim é uma espécie de experiência antropológica, sem ironia, eu garanto.
Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”