A violência urbana, em constante crescimento, figura entre as maiores preocupações da população e tem levado os municípios a ampliar sua atuação na área de segurança pública, mesmo com o artigo 144 da Constituição Federal estabelecendo que a manutenção da ordem pública é dever do Estado. Em Mairiporã, essa atuação se reflete diretamente na expansão dos gastos com a Secretaria e os departamentos ligados à Segurança.
No governo do prefeito Aladim, iniciado em 2021, o orçamento projetado para a Secretaria de Segurança, Transportes e Mobilidade foi de R$ 9 milhões. No ano seguinte, os recursos sofreram reajuste de 34,9%, atingindo R$ 13,8 milhões. Já no terceiro ano da administração, houve um salto expressivo de 62,5%, com o orçamento passando para R$ 36,9 milhões. No último ano do primeiro mandato, o aumento foi de 18,9%, totalizando R$ 45,5 milhões. Em 2025, nova elevação, agora de 4%, elevando o orçamento da Pasta para R$ 47,3 milhões.
Ao longo dos cinco anos analisados, os investimentos no setor mais que quadruplicaram. Entre os principais fatores que explicam esse crescimento estão a ampliação do efetivo da Guarda Civil Municipal (GCM), a reestruturação do CCO (Centro de Controle Operacional), a expansão da frota de viaturas e a aquisição de novos equipamentos. O movimento também se estendeu ao Departamento de Trânsito, igualmente impactado pelo aumento das demandas urbanas.
As dificuldades alegadas pelo Governo do Estado, especialmente no que se refere às polícias Civil e Militar – como a valorização salarial, o aumento do efetivo e a renovação da frota de viaturas – têm resultado em uma transferência indireta de responsabilidades para os municípios. Com isso, as prefeituras passam a destinar volumes cada vez maiores de recursos próprios para a segurança, valores que poderiam ser aplicados em outras áreas essenciais.
No curto e médio prazos, diante do comportamento do Governo Estadual, não há expectativa de mudanças significativas que aliviem as contas municipais nesse setor.
População – Em todo esse contexto, também é necessário considerar o crescimento populacional de Mairiporã, embora os dados oficiais do IBGE apresentem inconsistências nos últimos anos. Segundo estimativa do próprio instituto, em 2021 o município contava com cerca de 103 mil habitantes. No entanto, o resultado do Censo 2022 apontou uma redução para 93 mil moradores. À época, este jornal questionou a divulgação sob o título: “IBGE ‘mata’ 10 mil mairiporanenses no Censo”.
Independentemente das divergências estatísticas, é visível o crescimento da população local e, consequentemente, o aumento da demanda por serviços públicos mais eficientes e estruturados. (Juarez César/CJ – Foto: Divulgação)