Os cegos do castelo

“Até que você torne o inconsciente consciente, ele dirigirá sua vida e você chamará isso de destino.” (Carl Gustav Jung)

Enquanto eu caminhava ouvindo Os Cegos do Castelo, de Nando Reis, neste começo de 2026, comecei a refletir sobre a música e sobre a vida. Talvez porque o início de um novo ano nos coloque, quase sem perceber, diante de nós mesmos: do que ficou para trás, do que cansou e do que ainda faz sentido carregar. Ela diz assim:
“Eu não quero mais mentir, usar espinhos que só causam dor” soa como um desejo simples, mas profundo: viver com mais verdade. Quantas vezes criamos espinhos emocionais para nos proteger? Quantas metas não são realmente nossas, mas expectativas que assumimos para agradar o mundo? Quando a canção diz “Dos cegos do castelo me despeço e vou”, ela nos convida a sair dessas zonas de conforto que parecem seguras, mas que, aos poucos, nos impedem de enxergar a vida como ela é.
No começo do ano, falamos muito sobre mudanças, mas esquecemos que mudar não é correr é caminhar. “A pé até encontrar um caminho, o lugar pro que eu sou”. Ir a pé é respeitar o próprio tempo, a própria história, e compreender que transformação verdadeira não cria um personagem novo, mas revela quem sempre esteve ali, esperando espaço para existir.
“Eu não quero mais dormir de olhos abertos” toca em algo que muitos sentem, mas poucos admitem: viver no automático. Dias que se repetem, sonhos adiados, decisões tomadas sem presença. Despertar, como nos ensina a psicologia, é tomar consciência – não para eliminar as dores, mas para não ser guiado por elas.
E talvez o verso mais bonito seja o do cuidado: “Eu vou cuidar do seu jardim”. Cuidar exige atenção, constância e responsabilidade. No início de 2026, mais do que prometer conquistas grandiosas, talvez o essencial seja escolher cuidar melhor: de si, das relações, dos projetos e do tempo que nos atravessa.
Por isso, deixo um convite: ouça essa música com calma. Caminhe, se puder. Reflita sobre os seus castelos, seus espinhos, seus caminhos. Permita-se sair do automático, cuidar do seu jardim e traçar metas que tenham sentido para a sua vida. Que 2026 seja um ano vivido com mais verdade, mais consciência e passos firmes, e da melhor maneira que você conseguir que tenhamos um grande 2026.

Raphael Blanes: Servidor Público Municipal, formado em Filosofia, Gestão em Saúde Pública, Técnico em Vigilância em Saúde com ênfase no Combate às Endemias, Gestão Hospitalar, Saúde Única (One Health), RH e Desenvolvimento de Equipes e graduando em Psicologia. Instagram: @raphaelblanes – Email: blanes.med@gmail.com.