Dezembro chega trazendo o contraste típico da Região Metropolitana de São Paulo: calor intenso durante o dia e chuvas fortes ao fim da tarde, muitas vezes acompanhadas de rajadas de vento, descargas elétricas e alagamentos repentinos. É um período em que a instabilidade climática se torna regra, não exceção – e por isso exige atenção redobrada do poder público, mas também de cada cidadão.
Os episódios recentes de escassez no Sistema Cantareira acendem um alerta conhecido, mas frequentemente ignorado. Mesmo após a crise hídrica de 2014, hábitos de consumo consciente ainda não fazem parte da rotina de muitos. É compreensível que cada pessoa tenha suas necessidades, mas não é aceitável desperdiçar um recurso cada vez mais pressionado pelo crescimento urbano e pela irregularidade das chuvas. Pequenas atitudes – reduzir o tempo no banho, checar vazamentos, reutilizar água sempre que possível – fazem diferença quando multiplicadas pelos mais de 20 milhões de habitantes da metrópole.
O calor extremo, por sua vez, impõe outro tipo de cuidado. Os dias mais quentes aumentam a demanda energética, favorecem quadros de desidratação e sobrecarregam sistemas de saúde. Manter-se hidratado, evitar exposição prolongada ao sol e prestar atenção especial a idosos, crianças e animais de estimação são precauções necessárias, não opcionais.
Mas é diante das tempestades que nossa responsabilidade individual se torna ainda mais evidente. Muito do caos visto nas enchentes se relaciona diretamente ao descarte inadequado de lixo. Garrafas, embalagens e entulhos entopem bueiros e redes de drenagem, amplificando danos que poderiam ser minimizados. Da mesma forma, terrenos desmatados ou mal cuidados aumentam o risco de deslizamentos.
A prevenção começa com escolhas simples: acondicionar corretamente o lixo, não descartar resíduos em vias públicas, denunciar despejo irregular e cuidar dos próprios espaços.
É claro que soluções estruturais dependem do poder público: obras de drenagem, manutenção de córregos, expansão da arborização urbana, campanhas de conscientização e políticas firmes de gestão hídrica. Ainda assim, nenhuma ação governamental é suficiente se a população não fizer sua parte. A convivência responsável com o clima exige uma combinação de infraestrutura eficiente e atitude cidadã.
Dezembro sempre será desafiador para quem vive na Grande São Paulo. Mas preparar-se para calor, chuva e possíveis restrições de abastecimento não é apenas prudência – é dever coletivo. Agir antes do problema aparecer é o melhor caminho para enfrentar um mês que, ano após ano, nos lembra como a natureza responde às nossas escolhas.