Era uma vez…

Era uma vez uma moça que acreditava em finais felizes – até o dia em que o amor lhe desfez o roteiro. Ela aprendeu, a duras penas, que nem toda história termina com o castelo iluminado, nem todo príncipe sabe ficar. Passou, então, a construir seus próprios reinos: independência, carreira sólida, autossuficiência. Era admirada, forte, centrada.
Mais do que isso, ela estava bem consigo mesma, sozinha e em paz com cada pedacinho de sua vida. Mas, no fundo, havia uma parte dela que continuava à espera de algo que não se compra nem se planeja: aquele amor tranquilo, que não chega com promessas, mas com presença.
Enquanto isso, em outro canto da mesma vida, vivia um rapaz. Ele também conhecia as ruínas de um amor que não deu certo. Aprendeu a sorrir de novo, a enxergar beleza nas pequenas coisas. Ele era doce, gentil, inteligente e sua carreira consolidada, mas, sobretudo, era uma pessoa bondosa. Alguém que, mesmo depois das quedas, ainda acreditava que o amor é o melhor lugar do mundo.
Ele desejava um amor para a vida inteira, alguém que estivesse disposto a caminhar lado a lado em cada sabor, cada escolha, cada silêncio compartilhado.
Um dia, seus caminhos se cruzaram. Um encontro de olhares que parecia reconhecer algo antigo, como se dois corações que já se procuravam há tempos finalmente tivessem se encontrado.
Ele viu nela o que sempre procurou: inteligência, luz e um riso fácil que iluminava o ambiente. Ela viu nele o que já não acreditava existir: bondade, firmeza e um coração disposto. Mas quando o amor bateu à porta, ela se assustou. Tinha medo de abrir e deixar o passado entrar junto. E, então, recuou. Ele, aceitou o silêncio dela, embora doesse. Tentaram seguir, mas mesmo o pouco tempo que se conheciam foi o suficiente para não se esquecerem mais.
Havia algo naquele encontro que ficava, como uma canção que insiste em tocar na memória mesmo depois de encerrada a festa. A moça precisou de algumas semanas para entender aquilo que o rapaz já tinha visto: o reencontro era de almas, uma união de propósitos que a espiritualidade cuidadosamente entrelaçara.
Afinal, a moça merecia alguém com um coração tão bom quanto o dela. E o rapaz merecia alguém capaz de caminhar ao seu lado com a mesma ternura e presença que ele oferecia. E, num desses giros do destino, ou quem sabe por obra das fadas, foi ela quem o procurou – com o medo ainda presente, mas com vontade de tentar. Ele hesitou, mas bastou vê-la sorrir para entender que o risco valia a pena.
A cada dia que se passava, juntos foram redescobrindo o amor. Ele cuidava dela com delicadeza, era porto seguro, presença e proteção, cada gesto seu mostrava que podia ser confiável. Ela retribuía com companheirismo, compartilhando seus sonhos e desafios, sempre presente nos momentos simples e nos complexos. Ela precisava de alguém que cuidasse dela, ele precisava de alguém que iluminasse ainda mais os seus dias.
A vida tomou caminhos inesperados, o rapaz a levou para longe da cidade onde sempre viveu e aquele novo horizonte, cheio de paisagens e possibilidades, tornou-se a melhor coisa que já lhe aconteceu. E com tanta felicidade na nova vida, o que haveria de vir é mesmo o casamento. E, como em todo bom conto de fadas, o “felizes para sempre” não é o fim, mas o começo. Porque o amor verdadeiro não é o feitiço que resolve tudo, mas sim o solo onde se planta o cotidiano, com paciência, fé e afeto.
E eu prefiro viver assim, sei que sou mais feliz desta forma…caminhando ao lado de quem ilumina meu dia, com amor e ternura. A você, caro leitor, desejo que encontre um amor que lhe aqueça a alma e preencha seus dias com cuidado e afeto. E a você, moço do conto de fadas, saiba que estaremos juntos em todos os capítulos dessa nova etapa. Amo você!

Drielli Paola – @drielli_paola. Servidora Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo. Bacharel em Direito, com pós-graduação e extensões universitárias na área jurídica. Entusiasta de psicologia, história, espiritualidade e causa animal. Apaixonada pela escrita.