Surpresas

“Aceitar o inesperado é abrir-se para o milagre da vida.” (Osho)

Já pensou como seria entediante se tudo saísse exatamente como planejado? Se cada dia fosse uma cópia previsível do anterior, se cada meta fosse cumprida sem tropeços, se cada sonho acontecesse sem esforço? Talvez a vida perdesse um pouco do sabor. O inesperado, por mais desconfortável que pareça, é o tempero que dá sentido à nossa caminhada.
Quantas vezes um atraso, um erro ou um desvio de rota mudaram completamente o rumo das coisas? Às vezes, é no trânsito parado que encontramos tempo para pensar. É na mudança de planos que descobrimos novas possibilidades. É na perda de algo que entendemos o verdadeiro valor do que ficou.
Pense nas vezes em que algo deu “errado” e, mais tarde, você percebeu que, na verdade, deu certo só que de outro jeito. Um encontro que não aconteceu pode ter evitado um desencontro maior. Uma porta que se fechou pode ter te protegido de um lugar onde você não deveria estar. A vida, em sua sabedoria silenciosa, muitas vezes nos ensina por caminhos tortos, lembra daquele ditado da Vó: “Deus escreve certo por linhas tortas”.
Claro que planejar é importante. Ter objetivos, metas e rotinas é fundamental para crescer. Mas é preciso cuidado para não se prender demais ao controle, como se tudo dependesse exclusivamente da nossa vontade. Porque a vida, com sua natureza dinâmica e imprevisível, não cabe em planilhas nem em agendas. Ela acontece e, na maioria das vezes, acontece diferente do que imaginamos.
Em vez de se estressar com o que sai do esperado, tente observar o que cada surpresa traz consigo. Talvez um convite para desacelerar. Talvez um teste de paciência. Talvez uma nova amizade, uma lição de humildade ou apenas a lembrança de que nada é permanente e que tudo pode se transformar.
Reflexão – As surpresas da vida são como pequenas sacudidas que nos tiram do automático e nos fazem acordar para o presente. Elas nos lembram que o essencial não está em ter o controle de tudo, mas em saber acolher o que vem, com serenidade e gratidão. No fim das contas, a vida é uma caixinha de surpresas e ainda bem que é assim. Porque é no inesperado que descobrimos nossa força, nossa fé e a beleza de recomeçar.
Afinal, se tudo fosse previsível, onde ficaria a graça de viver?

 

Raphael Blanes é Servidor Público Municipal, formado em Gestão em Saúde Pública, Técnico em Vigilância em Saúde com ênfase no Combate às Endemias, especialista em Gestão Hospitalar, graduando em Filosofia e Psicologia. Instagram: @raphaelblanes Email: blanes.med@gmail.com.

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