Dois pesos, duas medidas e muitos números

Todo mundo já ouviu a expressão popular “dois pesos e duas medidas”, comumente utilizada para apontar privilégios (principalmente), assimetrias e inconsistências no trato com situações semelhantes. O uso se tornou regra no cotidiano do País, ainda que reprovado.
Trazendo essa ‘situação semelhante’ para Mairiporã, a questão nos remete ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e os resultados do Censo Demográfico 2022, e seus desdobramentos a partir de então, até chegar à semana passada, quando a estimativa populacional de julho deste ano foi divulgada.
Em agosto de 2020 o Instituto divulgou a estimativa populacional relativa ao mês anterior, julho, e Mairiporã tinha 101.937 habitantes. Um ano depois, em agosto de 2021, o IBGE divulgou nova projeção, e a cidade contabilizava 103.645 moradores. Órgãos governamentais, diante desse quadro, passaram a transferir recursos para a Prefeitura com um novo índice percentual, pois o município havia ultrapassado a barreira dos 100 mil habitantes.
Em dezembro de 2022, na primeira prévia do Censo, o salto foi grande, com o anúncio que estimava 113.573 habitantes.
Só que em 30 de junho de 2023, o resultado oficial do Censo sumiu com 10 mil mairiporanenses, levando em consideração apenas os 103 mil anteriores ao Censo, pois o dado oficial divulgado foi de 93.617. Essa dança de números, que apontam inconsistências nos métodos do IBGE em mensurar contingentes populacionais, é de enlouquecer qualquer matemático. Mesmo aqueles considerados gênios.
E a saga do IBGE prossegue. Em 2024, na estimativa de julho, ainda segundo o órgão federal, Mairiporã passou a contabilizar mais 4 mil habitantes (em apenas um ano), aparecendo com uma população de 97.388. Um salto e tanto. E na mais recente estimativa de julho deste ano, a população cresceu ‘apenas’ 500 pessoas, agora com pouco mais de 97.800 habitantes.
Difícil acompanhar as proporcionalidades resultantes do IBGE, os métodos que aplica, as estimativas que divulga e a dificuldade, para os mortais, em acreditar em todo o processo.
Em exatos cinco anos, Mairiporã já registrou uma população de 101 mil habitantes, que avançou para 103 mil, depois saltou para 113 mil e despencou, do nada, para 93 mil. Subiu novamente para 97 mil, e na última divulgação, ou estimativa oficial, como queiram os leitores, somou míseros 500 novos habitantes à sua conta final.
E fica a indagação: depois de tantas idas e vindas, tantos números desencontrados, resultados diversos e dois pesos e duas medidas no modus operandi do IBGE, como acreditar em qualquer trabalho desse instituto?

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