Basta mudar o tempo e os dias frios chegarem, nublados e a garoinha fina cair pela manhã ou desavisadas durante tarde e noite para que comecemos a pensar sobre a vida. Qualquer canto onde é possível olhar para o céu onde e ver onde o sol está escondido pode ser considerado a nossa “Ágora” contemporânea.
Palavra estranha o estoicismo e mais estranho ainda é pensar que seja possível viver distante do sofrimento, já que naturalmente todos sofremos e o sofrimento penso ser o processo natural do amadurecimento para que aprendamos o que fazer dele. Ou não precisei da filosofia para concluir isso ou então só de refletir essa certeza eu já estava filosofando.
No estoicismo se considera a ambição como a grande responsável pelo sentimento de frustração, visto que ambicionar é perigoso, pois não estabelece limite. Sempre queremos mais e uma conquista vem acompanhada de uma nova vontade e portanto, de um novo sofrimento, já que a sensação plena de chegar ao destino dura pouco e a completude é utópica.
Marco Aurélio e Sêneca devem se revirar no túmulo com essa modinha de gente que vende curso de como ganhar o primeiro milhão até os dezoito anos e receitas de criatividade e sucesso, como se fosse algo que basta aquecer ao forno por 15 minutos. Os gurus digitais vendem o mundo como se viver fosse possível baixando o aplicativo correto.
A filosofia prática do estoicismo tem como objetivo o controle do medo e das emoções. Não se trata de indiferença do que ocorre à sua volta, mas principalmente não ser perturbar a ponto de se perder.
Uma pedra lançada na água provoca movimentos em sua superfície. O mesmo quando passa uma embarcação, mas basta esperar na certeza e que novamente passada a agitação, as águas vão se acalmando e retornando para o mesmo lugar.
O rio corre seu curso. Ser racional é também ser autônomo do seu próprio comportamento. Serenidade para o equilibro de fazer a convivência ser menos pior toda vez que vem os dissabores, é uma maneira inteligente de vencer sem depositar a esperança só no extraordinário. A vida é ordinária e carece de fé!
Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”