Eu tinha pressa

Me ocupei demais preocupado com o próximo momento ou o problema de amanhã que deveria ter deixado na gaveta. Diversas vezes me esqueci de saborear a demora no corredor do supermercado e preferia escolher com pressa os itens para que rapidamente pudesse sair dali e fazer algo útil para outras pessoas e geralmente essas não estavam preocupadas comigo. Eu tinha pressa por culpa do conforto de achar que estava usando o tempo a meu favor e me acomodei sem perceber. Não via meus verdadeiros desafios e pensar neles.

A vida é cheia de desafios e todos são degraus na escalada, já que para responder a eles faz com que se multiplique e ofereça o sentido que a vida precisa ter. A zona de conforto ilude e ludibria, parecendo que é o fim da batalha, quando na verdade tudo muda, envelhece, se expande ou se contrai; mas estamos em transformação e tudo muito rápido. Cuidado! O medo de mudar pode deixar você e muita gente para trás.

Quem se acha absoluto, talvez veja alguém mais jovem e audacioso ocupar seu espaço. Basta um sujeito mais dinâmico com uma boa ideia na cabeça, para que você tire férias e quando retorne, perceba que já está obsoleto. Os norte-americanos nos ensinaram que mudar é difícil e não mudar é fatal. Até o jogo político por aqui mudou, pois houve quem se recusava a perceber os ares da mudança que a cidade queria.

Se a primeira coisa que você anda fazendo quando acorda é saber sobre seu signo, para atribuir a isso o seu sucesso, provavelmente terá em breve uma desagradável surpresa. Sua vida não vai mudar pela posição da lua, mas pode mudar quando há protagonismo. Sem ação não há mudança e não acontece desenvolvimento. Talvez você deixe novamente a entrega do seu imposto de renda para o último dia, pois sempre dá certo, mas eu creio: não existe destino!

Eu trabalho bastante hoje em dia e não é porque nasci em maio, nada tem a ver com meu ascendente ou mapa astral. Fácil atribuir seu insucesso ou sucesso ao pensamento mágico da posição do dia do seu nascimento em uma constelação.

Eu tinha pressa até ver gente preguiçosa vivendo às custas do trabalho alheio, sem vergonha nenhuma na cara, se deleitando confortável, em detrimento do suor de outrem. O tempo passa rápido e vagabundo acumula gordura e perde tempo, até que um dia já não tenha mais de onde sugar e o que sobra são apenas as arrobas aumentando os parâmetros da cintura. Parasitas chamam de sorte o esforço de quem soube mudar e amadurecer para os novos desafios. Sem pressa e com olhar fixo além do horizonte, hoje olho com mais sabedoria o tempo passando para que na chegada não tenha perdido a beleza do caminho.

 

Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”