Dignidade menstrual

Eu sinceramente não tinha parado para pensar sobre a pobreza nesse aspecto da menstruação. Evidentemente se tantos não tem sequer do que se alimentar, seria conclusivo imaginar que a família de uma jovem não teria como dispor de um pacote de absorventes para que ela com dignidade pudesse cuidar de sua higiene.

Chamou-me a atenção a descoberta de que há dados bastante contundentes que dão conta que uma em cada dez meninas do mundo, falta a escola quando está menstruada. Além disso, no Brasil esse número dobra. Lembro-me bem disso, quando eu soube que minha filha havia ficado “mocinha”, como dizemos popularmente.

Fiquei emocionado e eufórico. Recordo perfeitamente o final de semana em que precisei comprar para ela um pacote de absorventes. Nem naquela época, nem recentemente, eu havia refletido que há infelizmente muitas meninas, que quando menstruam são obrigadas a utilizar papel higiênico, algum tipo de pano, ou qualquer outro meio inadequado para conter o sangramento proveniente do ciclo feminino que o maravilhoso Deus atribuiu a natureza da mulher.

A falta de condições econômicas para comprar absorventes e instalações necessárias, segundo a Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância – são um grande desafio para combater a pobreza menstrual no Brasil.

Em nossa região o movimento “Girl Up”, composto por meninas, procurou a vereadora Professora Leila Ravázio para apoio na implantação de projetos que promovam a redução da pobreza menstrual. A boa semente desta política pública levou a arrecadação e doação de mais de 13 mil absorventes às famílias das meninas em situação de vulnerabilidade e também a aprovação de uma lei de autoria da referida vereadora que instituiu no município diretrizes de ações para a promoção da dignidade menstrual.

Um importante valor, de ordem de quase R$ 35 mil, também foi destinado na forma de emenda impositiva para a Secretaria Municipal de Saúde, que por sua vez abraçou a causa de forma que todas as unidades de saúde da cidade, nos mais diversos bairros, incluindo suas micro áreas, disponibilizarão absorventes para as famílias.

Quando a sociedade se organiza e bem articulada se aproxima da política enquanto instituição, os resultados podem ser como esses. População, terceiro setor, legislativo e executivo unindo forças para o bem comum e o mais importante: que nossas meninas possam ter sua dignidade garantida e acesso a tudo que necessite para que vivam em paz, com saúde e de modo que possam dispor de todos os cuidados.

 

Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”