Prefeito fala dos seus dois primeiros anos como gestor de Mairiporã

O prefeito Aladim concedeu entrevista ao Correio Juquery (CJ) no início da semana, com uma ampla análise sobre os primeiros dois anos à frente da Prefeitura de Mairiporã. Fez um balanço de seu governo, os desafios que enfrentou, as realizações e como enxerga o futuro.

 

CJ- No discurso de posse, o senhor disse que, em função do quadro que encontrou, iria “combater a infecção e não a febre”, adotando uma política de austeridade com os gastos públicos, responsabilidade nas ações administrativas e reorganizar as finanças municipais. Após dois anos, como o senhor avalia o trabalho?

Aladim – Após 2 anos de gestão vemos como a decisão foi assertiva. Ao tomar à frente do executivo municipal me deparei com uma situação muito complicada, como a falta dinheiro. E tendo assumido no meio da maior crise de saúde que já vimos, um desafio e tanto. Tivemos muito trabalho, mas o resultado está aí: a receita do município passou de R$ 249 milhões para a projeção de R$ 481 milhões, com dívidas antigas já pagas. Recebemos inclusive prêmio de instituição pública por nosso diferencial de gestão.

 

CJ- Em dois anos é possível destacar qual a sua maior alegria e se há, a maior decepção?

Aladim – Existem grandes projetos saindo do papel, como a entrega da revitalização da Rua São Paulo, abertura definitiva do hospital Anjo Gabriel, que será um marco para nossa Saúde, mas a maior alegria é mais que um fato, mas que uma “filosofia”. Sei que nosso trabalho está sendo estruturado para atender a cidade não hoje, não daqui a um ano, mas para os próximos 50 anos. Cada projeto está sendo pensado para atender a longo prazo com comodidade e tecnologia, já pensando no crescimento da cidade e isso me deixa muito feliz.

 

CJ- O que o senhor ainda não tinha tido experiência como gestor público. Mas cercou-se de pessoas competentes. Como isso ajudou no seu processo de governar Mairiporã?

Aladim – O secretariado municipal foi escolhido a dedo com dois principais critérios: amar Mairiporã e estar disposto a pensar fora da caixa. No início, alguns questionaram a indicação a determinadas pastas, mas eu tinha certeza de suas capacidades técnicas e vontade de fazer dar certo. Hoje todo projeto é recebido de braços abertos. Os secretários são para mim grandes viabilizadores com suas competências e sou muito grato a cada um deles.

 

CJ- Um dos momentos mais difíceis da administração foi com o transporte urbano, herança deixada pelo governo anterior. Foram inúmeros os problemas e críticas dos usuários. Como conseguiu lidar com o problema, um dos mais controversos?

Aladim – Esse realmente foi um problema que chegou a tirar minha saúde. Já não dormia ou comia direito enquanto perdurava a situação. Foi com muita coragem que levamos ao enfrentamento, que não é fácil, e com a mudança veio a fase de adaptação e o aumento das cobranças para que a empresa entrasse de fato atendendo nossa população, sem dar moleza.

 

CJ- Antes de se eleger prefeito o senhor foi vereador por oito anos, ou seja, tinha certa experiência como legislador. Nestes dois anos à frente do Poder Executivo, como avalia a relação com os vereadores?

Aladim – É uma Câmara, em sua maioria, composta por pessoas mão na massa, que se importam de verdade com a cidade. Estão sempre acompanhando e fiscalizando as ações da prefeitura, o que é sempre muito positivo.

 

CJ- Que obras e ações o senhor destaca como mais importantes, como resolveu os problemas com as finanças públicas e de que forma sua atuação em outras esferas governamentais ajudaram o governo municipal?

Aladim – Uma das principais ações e obras que tivemos foi voltada ao saneamento básico, que nos últimos 52 anos sequer foram lembradas em Mairiporã. Com a renovação do contrato com a Sabesp, vi a oportunidade de fazer exigências, reivindicar áreas essenciais para nosso desenvolvimento e o principal, trazer mais de 67 km de extensão de rede de esgoto para os bairros, um sonho antigo da população. Nos últimos dois anos inauguramos nossa estação de tratamento de água, a mais moderna estação de tratamento de esgoto da América Latina. Entre grandes realizações, destaco ainda a inauguração do Poupatempo, do Corpo de Bombeiros, da Casa da Mulher e início das obras do quarteirão da Saúde, Creche Central e Casa da Juventude. Mas claro, tudo isso teve um custo, e como fazer ser possível se no início de 2021 as contas sequer se pagavam?

Aumentar a receita sem aumentar impostos é claramente um desafio, mas olhamos para cada oportunidade e agarramos. Trouxemos um número recorde de empresas para Mairiporã, aumentando arrecadação, aumentamos a movimentação do comércio com nossos eventos, o que os fez o setor de negócios expandir, aumentando também a arrecadação; mas fundamental foram as verbas que consegui trazer do Estado e da União, que somaram mais de meio milhão de reais nos últimos dois anos.

 

CJ- O que destaca como positivo na área da Saúde? E como foi conduzir a Prefeitura no primeiro ano de governo, período mais difícil da pandemia?

Aladim – Assumir a prefeitura, sendo eu uma pessoa cheia de planos e projetos, no meio de uma pandemia, tornou 2021 um pouco mais difícil. A principal meta era salvar nossa gente, abrir leitos, manter hospital aberto, comprar medicamentos e tudo o que fosse necessário para dar suporte à Saúde, mas eu sabia que não ia durar para sempre e já estava estruturando meus planos para o futuro. Nos últimos dois anos, além de manter até o final nosso Hospital de Campanha, já inauguramos um CAPS da Infância e Juventude, iniciamos as obras do quarteirão da saúde, levamos a saúde para as escolas e já distribuímos centenas de óculos e estamos reformando todas as unidades de saúde dos bairros e o principal, estamos quase prontos para inauguração definitiva do Hospital Anjo Gabriel, que deverá acontecer nas próximas semanas.

 

CJ- A Educação, uma área sempre sensível da administração, merece que análise do senhor?

Aladim – É importante sempre buscar o melhor, e observamos como nossa educação evoluiu. A merenda subiu no conceito em pesquisa, entregamos esse ano uniforme e material didático adequado a cada faixa etária, estamos construindo e ampliando creches, como a nova do centro, que trará mais de 200 novas vagas, acabando com a demanda reprimida. Hoje somos a cidade com a maior nota no IDEB de toda região! Isso é graças ao trabalho de cada professora, coordenadora, merendeira, diretora, auxiliar de limpeza, enfim… Todos que fazem parte desse processo. Nossa educação evoluiu e, hoje, temos a capacidade de fazer mais pelos nossos pequenos, promovendo eventos culturais, como a feira literária e teatros, e passeios turísticos com o nosso inovador Descobrindo Mairiporã, um ônibus de passeio que a cada semana leva uma turma para conhecer a cidade, reforçando a identidade e o pertencimento a uma nova geração.

 

CJ- A avaliação do seu governo tem sido positiva junto a todos os segmentos da sociedade. Isso também se deve à atenção dada à economia, com incentivos e investimentos para a geração de novos empregos e renda do trabalhador?

Aladim – Acredito que sim! E o emprego traz de volta a autoestima do cidadão. Quando uma empresa pretende vir para o município, a primeira coisa que eu pergunto é “quantas empregos você vai trazer pra cá?“, por que eu sei que é isso que faz a diferença na vida da pessoa; a capacidade de ir ao mercado e comprar seus alimentos, de ao final de semana ter lazer com a família… O desenvolvimento econômico é importante, pois chega na casa de cada um de nós, direta ou indiretamente.

 

CJ- A cidade, apesar do salto em seu desenvolvimento desde a sua chegada ao Palácio Tibiriçá, ainda tem alguns problemas que buscam soluções há muito tempo. Como resolver, por exemplo, a questão da mobilidade urbana?

Aladim – Já temos alguns planos em mente, como já divulguei nas minhas redes sociais anteriormente, como construção de avenidas, ampliação de faixas e etc. Mas é importante lembrar que em cada projeto nós temos também o planejamento técnico. Quando tiramos os semáforos por exemplo (que hoje ninguém mais lembra) não removi a esmo, só pra atender um clamor público, mas parar e avaliar junto a um grupo de estudos capacitado, qual finalidade desse equipamento e qual a melhor saída. As ideias não param de surgir e todas estão passando por criteriosa avaliação na processo de atualizar o plano de mobilidade urbana, inclusive, a ideia concisa de, no futuro, as vias somente terem sentido único, aumentando o fluxo, e construção de áreas e bolsões de estacionamento. Enquanto isso, aumentamos nosso efetivo de trânsito para atender a cidade 24h e estamos realizando, em cada canto da cidade, diversas intervenções pela melhoria das vias.

 

CJ- Uma das suas principais características é buscar recursos no Estado e na União, trabalho que foi coroado de êxito e reconhecido pela população. Com as mudanças dos governos de São Paulo e Federal, como seguir com o sucesso dos primeiros dois anos?

Aladim – O êxito na busca por recursos junto ao Estado e a União nunca foi por “favoritismo”, mas sempre pela apresentação de dados, projetos e planejamentos que faziam sentido aos anseios do governo do Estado e da esfera federal, e nada resiste ao trabalho estruturado, pensado a longo prazo e com claros resultados. É uma questão de como se apresenta as propostas.

Os deputados sempre nos ajudaram a alcançar espaço para esse diálogo e tenho certeza que os que Mairiporã elegeu nos ajudarão muito nessa empreitada. Vamos começar o trabalho do zero, mas parar não é uma opção e tenho certeza que seremos muito bem acolhidos em nossas demandas.

 

CJ- O senhor tem entre seus colaboradores mais diretos, a primeira dama e presidente do Fundo Social, Luciana Hamid. Como avalia a contribuição que ela tem dado na área social?

Aladim – Falar do trabalho da Luciana chega a me emocionar. Para quem não sabe, ela já era voluntária em projetos sociais muito antes de ser primeira dama, já que chegou a trabalhar na instituição que hoje é conhecida como Fundação Casa. Ela dá um jeito de em cada canto, em cada evento, e até nos momentos mais difíceis como era na época da COVID, de trazer um pouco de amor e solidariedade para os mairiporanenses. Em cada projeto ela quer participar pessoalmente, e o fez até na virada Cultural, onde a tenda do Fundo Social estava arrecadando dinheiro para comprar alimentos destinados aos menos favorecidos. Fez questão de participar de todos os plantões, virou a noite para não deixar passar a oportunidade de ajudar o próximo, e o faz voluntariamente.

Pelo segundo ano consecutivo o número de 10 mil crianças é atendido no Natal para Todos, mas o que isso significa? São 10 mil crianças que talvez não recebessem um presente, um chocolate e um brinquedo, para viver a experiência do Natal, como muitas vezes nós mesmos não pudemos. Foram mais de 5 mil famílias que tiveram a ceia completa graças ao trabalho da Lu.

Eu acredito que uma pequena atitude pode mudar a vida de uma pessoa, por isso eu sei que a importância do trabalho da Lu não é só a quantidade de cestas distribuídas, mas vidas transformadas pelo carinho, acolhimento e afeto, da sensibilidade que ela tem em cada um dos atos do Fundo Social.

 

CJ- Quais os seus planos para a cidade nos últimos dois anos da atual gestão?

Aladim – Os planos são trazer Mairiporã para o futuro, acelerar processos com a Prefeitura sem papel, a compatibilização das leis ambientais para nos dar direito a licenciar 85% dos projetos no município, ficando a serviço do Estado apenas as de altíssimo impacto, o que vai agilizar muito os processos.

Está nos planos abrir o primeiro Hospital Municipal de Mairiporã, definitivamente; planejo enfim elevar nosso município como Estância Turística, abrir novos centros de profissionalização em Terra Preta e Mairiporã, levar à frente nossa chancela de Capital da Cultura, continuar o maior programa de Regularização Fundiária que a cidade já viu. Minha maior meta para 2023 é trazer de volta a cada pessoa o orgulho de ser mairiporanense. (Da Redação – Foto: Correio Imagem)