Os caminhos da mente são penosos quando se trata de encontrar maneiras de lidar com os pensamentos e não sofrer demais com o poder dos dissabores que, inevitavelmente, encontram as pessoas, seja as que estão em um banco de praça em Paris, tendo como fundo a catedral de Notre Dame, ou estão em um dia quente na orla de Santorini, ou ainda em algum casarão vazio de uma propriedade no interior de São Paulo.
Na Faculdade de Letras aprendi o pensamento lógico linear e a maravilha de dizer e compreender por meio de códigos.
Logo nos primeiros meses a criança vai aprendendo os signos e tudo à sua volta vai sendo identiticado pelos sons. Fantástico perceber a comunicação nascendo e a gente assumindo o papel de emissor e receptor de maneira que os fonemas vão se enumerando rapidamente.
As crianças, aos três anos, são perfeitmente capazes de aprender diversos idiomas e separá-los de maneira a utilizar diferentes signos linguísticos. A mente humana, sem dúvida, é um assombro. No entanto, nenhum conteúdo acadêmico nos ensina a articular além do pensamento dialético. Estamos cada vez mais doentes quando se trata de saúde emocional que nos permita respostas inteligentes para situações estressantes.
A ansiedade potencializa a criatividade até para criar problemas, mesmo quando não existem ainda. O pensamento imaginário é rebelde a todos esses códigos aprendidos nas escolas e sofremos por antecipação com os pensamentos irresponsavelmente soltos em nossa mente. Eu mesmo já deixei de dormir vivendo o outro dia que ainda nem chegou, ruminando perdas, mágoas e frustrações. O que, claro, é uma grande bobagem.
Que desafio é não ser seu próprio sabotador e não se angustiar deixando o passado ganhar vida com novas cores e sabores no presente!
Um toque de lucidez para o pensamento é a chave para que nenhum desafeto tire de nós o protagonismo da permissão para que algo nos faça mal.
Deus é sem dúvida o foco para que neste ano não sejamos, nem eu, nem você, leitor, algozes de nós mesmos. Abraçar mais e julgar menos, exigindo menos das pessoas, sem esperar por gratidão ou reconhecimento. A vida se desenha como uma bela mulher de curvas convidativas, precisando ser namorada, conquistada e saboreada.
Dominar o “eu” para intervir em nossas mazelas, sem sermos prisioneiros de pensamentos sequestradores. Tudo em que cremos, nos controla. Medos e impulsividades precisam ser domados para que a mente não adoeça.
Não compremos então o que não nos pertence, visto que a paz vale ouro e o resto é bobagem. É no limite que a vida faz crescer e faz bem responder com silêncios e superar com sorrisos.
Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”