A ESTIAGEM continua diminuindo o nível de água do Sistema Cantareira, que congrega seis represas e abastece a Região Metropolitana de São Paulo e cidades do Interior do Estado.
De acordo com os últimos dados divulgados pela Sabesp, nesta quinta-feira (19) o sistema registrava 38,7% em seu volume operacional, dentro da faixa de estado de alerta, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA).
A situação é preocupante, pois as chuvas, segundo os institutos de meteorologia só devem acontecer a partir de novembro, e até lá o armazenamento de água nas represas deve continuar caindo, podendo mesmo repetir os índices da crise hídrica de 2014.
Em várias cidades brasileiras já foi adotado o racionamento, inclusive em municípios do interior de São Paulo. Os outros seis sistemas, à exemplo do Cantareira, também tiveram recuo em seus volumes, o que agrava ainda mais o problema.
O volume útil armazenado era de 380,0 milhões de metros cúbicos, enquanto no mesmo período do ano passado era de 485,4 milhões de m³. Naquela oportunidade o volume operacional era de 49,4%. Desde o início de agosto, choveu apenas 0,7 mm, para uma média histórica de 33,2 milímetros. Em 2020, no mesmo período, foram 29,7 mm de chuva, ou seja, quase trinta vezes o registrado no mês em curso.
No mês de maio o Governo Federal emitiu um alerta de emergência, pois cinco estados que compõem a bacia do Rio Paraná (inclusive São Paulo), registram a pior seca em 91 anos.
Consumo – Se a falta de chuva preocupa, o consumo de água também. O mairiporanense consome 120 litros/dia, segundo informações obtidas pela reportagem junto à Sabesp, considerando o perímetro atendido pela empresa. Todo esse volume é captado através de rios e ribeirões que despejam suas águas na Represa Paiva Castro.
É um consumo abaixo da média registrada por pessoa em nível nacional, que é de 154 litros/dia, o que significa que em Mairiporã as pessoas consomem diariamente 28,3% menos água que a população brasileira. Em relação à média recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 110 litros, em média, por dia, o mairiporanense consome 10 litros menos.
No período mais crítico do isolamento social, estima-se que o consumo de água pela população tenha sofrido uma elevação média de 20% na cidade.
Economizar água – A Sabesp tem feito campanhas pela televisão para que as pessoas façam sua parte neste momento de queda no nível das represas e colaborem no uso consciente da água.
A empresa destaca que o objetivo é preservar os mananciais e evitar que medidas como rodízio ou racionamento tenham que ser adotadas, mesmo admitindo que a necessidade de um racionamento já não está mais totalmente descartada.
Faixas – Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), foram adotadas faixas de acordo com a capacidade de volume operacional: mais de 60% (normal), entre 40% e 60% (atenção), 30% e 40% (alerta), 20% e 30% (restrição) e menos de 20% (especial).