19 administrações e 12 prefeitos: a história política e eleitoral de Mairiporã

 O então distrito do Juqueri foi elevado à condição de município através da Lei Provincial nº 67, no dia 27 de março de 1889, e completa nesta sexta-feira, 137 anos de emancipação. Politicamente, no entanto, sua independência para a escolha de prefeito e vereadores, só começou em 1947, com a eleição dos primeiros mandatários. Mas só dois anos depois mudou de nome e passou a se chamar Mairiporã.

Com 720 votos, em um colégio formado por 1.041 eleitores, Bento Oliveira Nascimento foi o primeiro prefeito eleito da cidade e, de quebra, o campeão de votos durante 77 anos, com 70% dos sufrágios. Isso ocorreu em 1947, dias antes da diplomação dos eleitos, realizada em São Paulo, em de 11 de novembro, no Palácio da Justiça. Naquele pleito não existia a figura do vice-prefeito.

Até então, o governante era nomeado pelo presidente (depois passou a se chamar governador) do Estado. E isso só foi mudado com a elevação de Juquery à condição de município, quando passou a eleger os seus mandatários.

O nome – O mandato de Bento Oliveira como primeiro prefeito iniciou-se em janeiro de 1948 e somente em dezembro conseguiu alterar o nome da cidade para Mairiporã, por sugestão do poeta e jornalista Araújo Jorge, cujo processo foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado. Até então era Juqueri e sua área total englobavam as futuras cidades de Caieiras e Franco da Rocha.

Destaques – Se Bento Oliveira foi o mais votado da história, Luís Salomão Chamma foi o que mais vezes se elegeu para o cargo: foram três mandatos, em tempos em que não existia a reeleição. Antes, foi por duas vezes vereador. Outro que se elegeu três vezes, Antônio Aiacyda, foi primeiro a ser reeleito.

O atual mandatário, Walid Ali Hamid (Aladim) inseriu seu nome na história ao ser reeleito com a maior votação já dada a um político da cidade: 77,93% dos votos, com 35.316 de um total de 45.315 votos válidos.

Prefeitos – A escolha dos eleitores para comandar o Palácio Tibiriçá está rigorosamente empatada entre os que anteriormente foram vereadores e aqueles que se elegeram diretamente para a chefia do Executivo.

Não foram vereadores: Bento de Oliveira Nascimento (1948/1951); Aloysio Arnaldo Salotti (1973/1976); Antônio Jair Oliveira Nascimento (1983/1988 e 2001/2004); Sarkis Tellian (1993/1996); Arlindo Carpi (1997/2000) e Márcio Cavalcanti Pampuri (2013/2016).

Outros seis tiveram anteriormente assento no Legislativo: Lamartine Albuquerque Passarella (1952/1955); Florêncio Pereira (1956/1959 e 1964/1968); Francisco Feliciano Ferreira da Silva (1960/1963), Luiz Salomão Chamma (1969/1972 – 1977/1982 e 1989/1992); Antônio Aiacyda (200/52008 – 2009/2012 e 2017/2020) e o atual Walid Ali Hamid, o Aladim (2021/2024 – 2025/2028).

Com um mandato ampliado por decisão do Governo Federal, de quatro para seis anos, numa das legislaturas, Luiz Chamma foi quem permaneceu no cargo mais tempo, com 14 anos: quatro entre 1969/1972; seis anos entre 1977/1982 e mais quatro no período 1989/1992.

Os vices – Na primeira gestão, a partir de janeiro de 1948, não havia a figura do vice-prefeito, que só foi introduzida no pleito seguinte. Ocuparam essa função, pela ordem: Florêncio Pereira (1952/1955); Cândido Galrão de França (1956/1959); Jorge Salomão Chamma (1960/1963); José Enrico Pappalardo, o Zezo (1964/1968); Ademar Valter Coimbra (1969;1972); Jurandir Panella (1973/1976); José Aparecido Cardoso da Silva (1977/1982); Armando Pavanelli (1983/1988); Arlindo Carpi (1989/1992); Armando Pavanelli (1993/1996); Juan Oscar Ouchana (1997/2000); Terezinha de Jesus Campos Wisniewski (2001/2004); Silvio Antônio Ranciaro (2005 – cassado após 30 dias); Ana Maria Gaggini Tellian (2009/2012); Débora Lopes Braga (2013/2016); Eduardo Yokomizo (2017/2020) e Wilson Rogério Rondina (2021/2024 e 2025/2028).

Maior da história – Durante 77 anos da história político-administrativa de Mairiporã, o primeiro prefeito eleito pelo voto, Bento Oliveira, manteve o status de mais votado, com 70% do colégio eleitoral de 1947.

Só depois de sete décadas e meia que seu recorde foi quebrado. Ao ser reeleito em 2024, o prefeito Aladim conquistou 77,8% dos votos, número que dificilmente se repetirá. (Wagner Azevedo/CJ – Fotos: Correio Imagem)

Bento de Oliveira (primeiro prefeito eleito); Luiz Salomão Chamma (três vezes eleitos quando não havia reeleição) e Walid Aladim Hamid (o mais votado da história em todos os tempos)  

 

 Câmara Municipal: Diferentes perfis e número de cadeiras

 A Câmara Municipal, cuja primeira composição também data de 1948 (eleita em 1947), contabiliza dezenove legislaturas.

As composições (número de eleitos) variaram ao longo dos mais de 75 anos, com perfis políticos diversos, porém alinhados na maioria das vezes com o Poder Executivo.

Na primeira, 1948/1951 foram preenchidas 15 cadeiras. Depois, na sequência, 1952/1955 (11 cadeiras); 1956/1959 (15 cadeiras); 1960/1963 (12 vereadores); 1964/1968 (14 vereadores); 1969/1972 (vereadores); 1973/1976 (9 cadeiras); 1977/1982 (11 cadeiras); 1983/1988 (13 cadeiras); 1989/1992 (15 cadeiras); 1993/1996 (15 vereadores); 1997/2000 (15 vereadores); 2001//2004 (15 vereadores); 2005/2008 (10 cadeiras); 2009/2012 (10 cadeiras); 2013/2016 (13 cadeiras); 2017/2020 (13 vereadores); 2021/2024 (13 vereadores) e 2025/2028 (13 vereadores).

Cinco vereadores registraram o número de mandatos consecutivos: Marco Antônio Ribeiro Santos, com seis (2005/2008, 2009/2012, 2013/2016, 2017/2020, 2021/2024 e 2025/2028); com cinco, Tadafumi Harada (1948/1951, 1952/1955, 1956/1959, 1960/1963 e 1964/1968); Francisco Pinto (1956/1959, 1960/1963, 1964/1968, 1969/1972 e 1977/1982), João Rodrigues da Cunha (1960/1963, 1964/1968, 1973/1976, 1977/1982 e 1989/1992). Oswaldo Pisaneschi (1983/1988, 1989/1992, 1993/1996, 1997/2000 e 2001/2004). O vereador Belo (João Rodrigues da Cunha) ainda assumiu o parlamento no período 2001/2004, mas na condição de suplente, durante alguns meses.

O vereador Abdul Karim Nagib Moussa foi quem mais vezes ocupou a presidência, em três legislaturas: 1995, 1999/2000 e 2003/2004.

Mais votados – Dois vereadores se destacaram como os mais votados da história de Mairiporã. Proporcionalmente, Ademar Coimbra se elegeu com 10,2% dos votos, em 1972, com 521 sufrágios.

Três vezes o mais votado, Valdeci América aparece logo a seguir, com 6,20%, que representaram, em 2024, cerca de 2.780 votos. O atual prefeito, Aladim, foi o primeiro a romper a barreira dos dois mil votos, em 2012.

Terra Preta – O distrito industrial da cidade, segundo maior colégio eleitoral do município, teve ao longo da história legislativa doze representantes: Tadafumi Harada (1948 a 1968); Edson Petri (suplente que assumiu em 1982); Getúlio Harada (1983/1988); João Batista da Fonseca (1989/1992); Armando Alves da Silva (1997/2000); Iolanda Lopes de Oliveira (1997/2000); Nicola Peres Neto (1997/2000 e 2001/2004); José Damião de Oliveira, o Zé Ceará (suplente que assumiu em 2004); Valdecir Odorico Bueno (2005/2008 e 2009/2012); Prof. Édio de Oliveira Souza (2013/2017); Valdeci Moreno de Souza Lopes, a Tia Val (2013/2017) e Wilson Antônio Rondina (2017/2020).

O vereador José Corrêa da Silva Neto (Neto Barzil), assumiu como suplente na legislatura 2001/2004 e foi eleito outras duas vezes: 2021/2024 e 2025/2028.

Sucessores – A herança política (pais e filhos vereadores) também foi registrada ao longo da história: Miguel Nagib Moussa (filho de Abdul Karim); Getúlio Yokito Harada (filho de Tadafumi Harada); Fernando Brandão (filho de Francisco Brandão); Gleidson Aiacyda (filho de Antônio Aiacyda) e Jessé Pereira dos Santos (filho de Cícero dos Santos). No caso de Miguel Nagib, ele se elegeu primeiro que o pai. (Wagner Azevedo/CJ)

 

Ademar Coimbra (o mais votado da história da cidade)

Valdeci América (três vezes o mais votado)

Marco Antônio Ribeiro Santos (maior número de mandatos)

 

Crédito de todas as fotos:

Correio Imagem