Último dia!

Minha mão tremia e até meu coração batia mais rápido. O momento de tomar a decisão estava mais perto a cada minuto. Fui ao banheiro. Demorei mais tempo do que devia, menos tempo do que achei que levaria. Sai, me olhei no espelho, respirei fundo.
Às vezes o mundo nos coloca em dilemas nada fáceis de resolver. Ir por aqui ou por ali? Ficar onde está ou procurar novos caminhos? Tudo nos leva para o temido momento de tomada de decisão.
Lá estava eu, me perguntando se deveria seguir em frente, mesmo com as incertezas totais, ou se deveria continuar, mesmo com a total certeza da insatisfação. Ninguém quer perder aquilo que já se tem, principalmente quando sabe que terá de procurar outro, por mais difícil que seja. O processo é angustiante, gera ansiedade, dúvidas. Será que fui bom o suficiente? Ninguém gosta de passar por isso.
A sensação é de tempo perdido quando deixamos aquilo que precisamos. Tem coisa mais alarmante? É como se o tempo fosse areia escorrendo entre os dedos e por mais que a gente tente fechá-los, não consegue. Mas ele não é, sabemos disso. No fundo é o olhar das pessoas sobre a gente. “Com essa idade, ainda não chegou aonde muitos já chegaram?”, perguntariam. Será mesmo que esses ‘muitos’ chegaram lá? E se chegaram, será que estão felizes? Realmente, o gramado do vizinho é sempre mais verde…
Será que meu rosto está verde? Porque eu poderia vomitar agora. Ou chorar? A cada passo de volta do banheiro significava que a decisão estava mais perto de ser tomada. Pensei em ir sem falar nada. Quase fui! Mas, se fizesse isso, não estaria traindo a mim mesmo?
Respira e fala. Dar um passo para trás é necessário para dar dois ou três à frente. Fala, porque se não falar, não há quem fale por você, não agora. Falei e fui. Fui onde? Seguir em frente.

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