Coluna do Correio

FRASE
“O progresso é impossível sem mudança; e aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.” (Bernard Shaw, dramaturgo, ensaísta e jornalista irlandês).

E AGORA?
Terminadas as eleições, muita gente anda curiosa para saber em que pé ficam as ações prometidas pelo governador Márcio França (PSB), que não conseguiu se reeleger. Durante a campanha, ele e sua equipe prometeram mundos e fundos ao prefeito Antônio Aiacyda, dentre as quais a implantação de um AME no prédio que deveria abrigar o Hospital Anjo Gabriel. O prefeito embarcou no ‘canto da sereia’ de França e sofreu uma derrota vexatória na cidade. E agora, Antônio?

CUMPRIMENTOS
A bordoada no PSDB local foi tamanha, que na primeira sessão legislativa pós-pleito nenhum vereador tucano cumprimentou o governador eleito, João Dória, ou solicitou o envio de ofício, tão comum nessas ocasiões.
VOOS ALTOS
Grande beneficiário da onda Bolsonaro, o PSL em Mairiporã já está focado nas eleições de 2020. A coluna apurou que o partido sonda uma liderança ligada aos meios empresariais para tentar a sucessão de Aiacyda. O grupo, por enquanto, mantém segredo em relação ao nome, mas garante que não tem qualquer vício político, ou seja, é novo, bem de acordo com a postura mudancista dos eleitores. No pleito de 2016 o partido fez parte de uma coligação que apoiou a reeleição de Márcio Pampuri.
COLIGAÇÕES
Os ‘donos’ de partido em Mairiporã já podem, desde já, dispensar maior atenção às eleições de 2020 e procurar alternativas à proibição das coligações. Sem elas, vão passar apertado para conseguir eleger vereadores. Se as coligações não vigorassem em 2016, muitos dos que conquistaram cadeiras estariam ou trabalhando na iniciativa privada ou procurando emprego.
MENOS FORÇA
Os próximos meses podem ter fortes emoções na busca por partidos em Mairiporã. A avaliação é a de que o cenário ficou mais favorável para a oposição conseguir legendas e buscar distanciamento dos que hoje compõem o governo municipal. Sinal dos tempos.
DISPUTA (I)
Ainda não há confirmação oficial, porém nos bastidores da Câmara há um clima de disputa pela presidência que vai ocorrer no dia 11 de dezembro. Dois integrantes da tropa de choque do prefeito, para fazer jus ao substantivo, também estão em choque: Ricardo Barbosa e Ricardo Ruiz. O primeiro é tucano, como o prefeito, e o segundo adesista de primeira hora. Pelos sinais vindos do Palácio Tibiriçá, a preferência do chefe do Executivo estaria com Ruiz, do PSD. Se isso se confirmar, a oposição pode renascer das cinzas e tentar emplacar Barbosa como candidato. A escolha do presidente da Câmara é questão que se define na hora do voto, muita água ainda vai passar por debaixo da ponte. Se houver de fato mais de uma chapa, os postulantes podem esperar por traições. Aliás, comuns entre a classe política.
DISPUTA (II)
Seja quem for o ungido pelos colegas como próximo presidente da Câmara, o clima não será o mesmo dos primeiros dois anos de governo. Uma mostra disso foi o voto contra o prefeito, do tucano Ricardo Barbosa, no projeto que pretendia permutar áreas no centro da cidade. A proposta foi barrada em plenário. Para fazer a oposição acordar é um pulo.
NA SESSÃO
Agentes de Saúde que estão próximos da demissão contaram com o apoio do vereador Doriedson Freitas (REDE), que fez defesa enfática da categoria e demonstrou que os motivos alegados pelo Executivo para defenestrar parte da categoria não tem fundamento jurídico. Ao contrário, o Ministério Público mandou arquivar representação do Tribunal de Contas de que o processo de contratação estaria errado.
TESOURA
Próximo de adentrar ao terceiro ano de mandato, por sinal pré-eleitoral, o prefeito deve fazer, com mais constância, uso da tesoura que, além de cortar apadrinhados políticos, também é usada como instrumento de pressão junto aos vereadores. Como os senhores parlamentares têm muitos cabos eleitorais no quadro de servidores comissionados, a pressão é para que tudo continue como está, ou seja, o prefeito navegando em mares tranquilos. Mas o comportamento dos vereadores vai ter um preço a pagar. Lá em 2020.
PREVIDÊNCIA
O vereador Doriedson Freitas tem insistido para que os governantes tenham olhos mais atentos à previdência municipal. Segundo ele, lá na frente a Prefeitura vai ter problemas para cobrir o déficit atuarial. Este ano os repasses são de R$ 7,5 milhões. Ano que vem, R$ 8,3 milhões. Esses aportes vão ser cada vez maiores. Como os prefeitos e os vereadores só pensam no hoje, a conta vai ficar muito salgada daqui a alguns anos. No último ano do atual prefeito o aporte será de R$ 10 milhões.
ORÇAMENTO
Os vereadores vão votar, até o encerramento do ano, o projeto de lei do Orçamento Anual 2019, cujo montante é de R$ 255 milhões. Nos bastidores a curiosidade é saber se os senhores edis vão fazer como das vezes anteriores, ou seja, evitar a apresentação de emendas, apenas referendando o texto original, como se tudo estivesse na mais perfeita ordem, sem necessidade de ajustes. Esse desgaste se repete todos os anos e muitos ainda se dizem ‘políticos novos’. Mas os hábitos e comportamentos são velhos, arcaicos.
RECAPEAMENTO
A Prefeitura deu início às obras de recapeamento de mais de 30 ruas por toda a cidade. Já não era sem tempo. A população convive com buracos e crateras (alguns já de estimação) que provocavam insegurança em motoristas e pedestres. Por outro lado, nunca é demais lembrar que essa ação do governo municipal não é nenhum favor, é obrigação.
CONTAS
Terminou na terça-feira, 6, o prazo para partidos políticos e candidatos apresentarem a prestação de contas definitiva referente ao primeiro turno das eleições. Apenas 2% dos concorrentes já enviaram os dados à Justiça Eleitoral.
EMENDAS (I)
Já se fala em Brasília em aumentar o valor anual das emendas impositivas (obrigatórias) para R$ 20 milhões por ano, por deputado. Mais uma vez Mairiporã vai ficar de fora ‘do baile’, ou seja, não tem a quem pedir recursos e deverá se contentar com a prática observada nas últimas décadas, de passar o pires de gabinete em gabinete e se contentar com ‘esmolas’ de deputados que não tem compromisso com a cidade. Só como exemplo, o deputado federal eleito por Bauru, Rodrigo Agostinho, vai destinar à cidade R$ 15 milhões do total a que tem direito.
EMENDAS (II)
As emendas da bancada tucana na Assembleia Legislativa para 2019 serão encaminhadas ao governo estadual e caberá ao Estado a divisão com os municípios. A medida desagradou aos prefeitos que foram em busca de recursos de maior porte. A intervenção foi de membros ligados ao governador eleito João Doria (PSDB) e foi vista por prefeitos como retaliação pelo fato de muitos deles terem apoiado a reeleição do atual governador Márcio França (PSB), que foi derrotado por Doria.
EXPULSÃO
O assunto rolou solto nas redes sociais. O prefeito Antônio Aiacyda, que não apoiou o PSDB, até então seu partido nas eleições para o Governo do Estado, teria sido expulso da agremiação no início desta semana, por determinação do Diretório Estadual. Mesmo que isso não seja verdade, dificilmente irá se sentir confortável na legenda. Fez uma escolha que não precisava e com isso transfere à população o ônus da sua decisão.

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