Coluna do Correio

FRASE
“O fato mais fundamental sobre as ideias da esquerda política é que elas não funcionam. Portanto, não devemos ficar surpresos ao encontrar a esquerda concentrada nas instituições onde as ideias não têm de trabalhar para sobreviver.” (Thomas Sowell, economista norte-americano)

VITORIOSO
Se das urnas em Mairiporã teve algum candidato vitoriosos foi Aladim, do PR, ex-vereador, que sem nenhuma estrutura conquistou quase 9 mil votos na cidade e mais 3 mil fora como candidato a deputado federal. E deve ser levado em conta o efeito Bolsonaro, caso contrário, teria muito mais votos. O feito, se comparado aos votos que o PSDB ‘arrumou’ para uma gama de forasteiros, foi ainda maior. Quem conhece de política ficou com duas certezas: Aladim é um nome forte para as eleições de 2020, e o PSDB de Aiacyda ensaia sair de cena ao final deste mandato.

DERROTADO
Além do PSDB, também as ‘viúvas’ do partido, que migraram para o PP no passado, saíram derrotadas. A candidata Sandra Santana, secretária do deputado Celino Cardoso, que não disputou a reeleição, recebeu votação pífia. Pouco mais de 1.500 votos, mesmo com uma gama impressionante de políticos e da máquina governamental a lhe apoiar. Sozinho, Aladim alcançou praticamente a mesma votação para o seu candidato, Maurici, ex-prefeito de Franco da Rocha.
DERROTADO (II)
Também o PSD local sai derrotado das urnas. O candidato a federal, Guilherme Campos, aquele dos Correios, lembra, que ia reabrir o posto dos correios em Terra Preta, mais uma vez ficou de fora do Congresso. É a segunda derrota consecutiva. Os políticos com cargos eletivos em Mairiporã deveriam repensar o modo de fazer política. O eleitor já deu seu recado.
AME (I)
Os vereadores votaram na última sessão de setembro, a cessão da área onde se localiza o Hospital Anjo Gabriel para o Estado. A promessa é que no local vai ser construído um AME (Ambulatório Médico de Especialidades). O constrangimento e o desconforto entre os vereadores foram visíveis, e os discursos, patéticos. Quem fez uso eleitoral da construção do novo hospital para se reeleger em 2016 fez do cinismo a justificativa para o voto a favor, principalmente porque o ex-prefeito Márcio Pampuri compareceu à sessão. Todos se disseram amigos dele. Certamente após uma noite de sono, o ex-prefeito deve ter tido tempo para avaliar que tipo de amigos tinha.
AME (II)
Alguns vereadores, em eloquentes discursos, certamente alertados para possíveis retaliações se votassem contra, mais ou menos fizeram o seguinte: “o réu parece inocente, tem todos os sintomas de ser inocente, chego à conclusão de que realmente é inocente, mas voto pela sua condenação“. Em resumo, o município, através de seus administradores, entregou ao Estado uma propriedade que custou R$ 1 milhão aos cofres da Prefeitura. É a banana comendo o macaco.
AME (III)
Essa história toda de hospital em Mairiporã ainda vai longe. O que imperou nas últimas quatro décadas foi uma politicagem sem tamanho. Todos os prefeitos, todos, sem exceção, não tiveram vontade política ou competência em ofertar um hospital do tamanho da necessidade da população e do bolso dos cofres públicos. Quem precisa da saúde pública quer um atendimento digno, eficiente e rápido. Mas enquanto isso não acontece, o que prospera é a politicagem.
AME (IV)
Em 2016, quando as obras do Hospital Anjo Gabriel estavam próximas do fim, não se ouviu de vereadores ligados ao prefeito Pampuri, casos de Marcinho da Serra, Valdeci América e Nil Dantas, nenhuma afirmação de que não haveria dinheiro para fazer a unidade funcionar. Levaram dois anos para descobrir.
ORÇAMENTO
A Prefeitura de Mairiporã entregou em 28 de setembro, na Câmara Municipal, o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2019. Os números foram apresentados em audiência pública e não houve mudanças. O Orçamento do Município no ano que vem tem receitas e despesas estimadas em R$ 255,4 milhões. A administração direta fica com R$ 231,1 milhões, o Iprema (Instituto de Previdência Municipal) terá R$ 24,2 milhões e a Câmara de Vereadores R$ 9,9 milhões. Comparado ao orçamento deste ano, o aumento é de 4,3%.
ORÇAMENTO (II)
O que mais chama a atenção no Orçamento é o total de recursos destinados à Secretaria de Segurança e Mobilidade Urbana. Em relação ao orçamento vigente, o aumento É de 22,4%. Nem a Saúde e a Educação, juntos, foram contempladas com esse percentual. A Saúde terá um reajuste de 10,4% e a Educação de 8,2% na comparação com 2017. Como há previsão de repasses federais menores, a exemplo do que ocorreu em 2018, a Prefeitura deverá ter dificuldade para investimento e criação de serviços nesses dois mais importantes setores do governo.
ORÇAMENTO (III)
Embora tenha cortado 2/3 de funcionários comissionados e acabado com a frota de veículos, por determinação do Tribunal de Contas, a Câmara foi brindada com um aumento de 7,85% no orçamento do ano que vem. Serão destinados ao Legislativo R$ 9,9 milhões.
SUCESSÃO (I)
Não há qualquer informação confirmada ou oficial. Mas já se fala abertamente pelo Paço que o vereador Ricardo Ruiz vai ser o próximo presidente da Casa de Leis. Poucos duvidam disso, mesmo o parlamentar não sendo do PSDB. Se o fato se concretizar em dezembro, tudo indica que ele será candidato a prefeito. Ou seja, se for mesmo o presidente da Câmara, vai ser difícil impedir sua trajetória.
SUCESSÃO (II)
Mas a atrapalhar Ricardo Ruiz, segundo comentários de bastidores, na linha sucessória está o tucano Ricardo Barbosa, que também aspira presidir a Casa de Leis. O confronto, pode ‘acordar’ o espírito oposicionista de alguns parlamentares, porém a penca de indicados e que estão comissionados na Prefeitura pode deixar tudo como está, ou seja, o prefeito seguirá navegando em mares de calmaria.
CANSOU
O desinteresse do eleitor pelo processo eleitoral brasileiro segue em escalada de alta que parece não será contida tão cedo. Dos 61.289 eleitores inscritos para votar em Mairiporã, 47.621 apareceram e outros 13.633 (22,26%) preferiram outros afazeres no último domingo. Apenas para ficarmos num exemplo, na eleição para o governo de São Paulo, 7.128 (14,97%) anularam o voto e outros 3.546 (7.45%) votaram em branco. Ou seja, foram perdidos (com os que se abstiveram) 44,68% dos votos. Com tanta ladroagem País afora, o eleitor cansou. E a tendência é que isso aumente em 2020.

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