Coluna do Correio

FRASE
“A liberdade de eleições permite que você escolha o molho com o qual será devorado.” Eduardo Hughes Galeano (jornalista e escritor uruguaio)

AME (I)
Os vereadores votaram na noite de terça-feira, 2, a cessão da área onde se localiza o Hospital Anjo Gabriel para o Estado. A promessa é que no local vai ser construído um AME (Ambulatório Médico de Especialidades). O constrangimento e o desconforto entre os vereadores eram visíveis, e os discursos, patéticos. Quem fez uso eleitoral da construção do novo hospital para se reeleger em 2016 fez do cinismo a justificativa para o voto a favor, principalmente porque o ex-prefeito Márcio Pampuri compareceu à sessão. Todos se disseram amigos dele. Certamente após uma noite de sono, o ex-prefeito deve ter tido tempo para avaliar que tipo de amigos tinha.

AME (II)
Alguns vereadores, em eloquentes discursos, certamente alertados para possíveis retaliações se votassem contra, mais ou menos fizeram o seguinte: “o réu parece inocente, tem todos os sintomas de ser inocente, chego à conclusão de que realmente é inocente, mas voto pela sua condenação“. Em resumo, o município, através de seus administradores, entregou ao Estado uma propriedade que custou R$ 1 milhão aos cofres da Prefeitura. É a banana comendo o macaco.
AME (III)
Essa história toda de hospital em Mairiporã ainda vai longe. O que imperou nas últimas quatro décadas foi uma politicagem sem tamanho. Todos os prefeitos, todos, sem exceção, não tiveram vontade política ou competência em ofertar um hospital do tamanho da necessidade da população e do bolso dos cofres públicos. Quem precisa da saúde pública quer um atendimento digno, eficiente e rápido. Mas enquanto isso não acontece, o que prospera é a politicagem.
AME (IV)
Em 2016, quando as obras do Hospital Anjo Gabriel estavam próximas do fim, não se ouviu de vereadores ligados ao prefeito Pampuri, casos de Marcinho da Serra, Valdeci América e Nil Dantas, nenhuma afirmação de que não haveria dinheiro para fazer a unidade funcionar. Levaram dois anos para descobrir.
ORÇAMENTO
A Prefeitura de Mairiporã entregou na sexta-feira, 28 de setembro, na Câmara Municipal, o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2019. Os números foram apresentados em audiência pública e não houve mudanças. O Orçamento do Município no ano que vem tem receitas e despesas estimadas em R$ 255,4 milhões. A administração direta fica com R$ 231,1 milhões, o Iprema (Instituto de Previdência Municipal) terá R$ 24,2 milhões e a Câmara de Vereadores R$ 9,9 milhões. Comparado ao orçamento deste ano, o aumento é de 4,3%.
AUMENTO (I)
O que mais chama a atenção no Orçamento é o total de recursos destinados à Secretaria de Segurança e Mobilidade Urbana. Em relação ao orçamento vigente, o aumento será de 22,4%. Nem a Saúde e a Educação, juntos, foram contempladas com esse percentual. A Saúde apresenta um reajuste de 10,4% e a Educação de 8,2% na comparação com 2017. Como há previsão de repasses federais menores, a exemplo do que ocorreu em 2018, a Prefeitura deverá ter dificuldade para investimento e criação de serviços nesses dois mais importantes setores do governo.
AUMENTO (II)
Embora tenha cortado 2/3 de funcionários comissionados e acabado com a frota de veículos, por determinação do Tribunal de Contas, a Câmara foi brindada com um aumento de 7,85% no orçamento do ano que vem. Serão destinados ao Legislativo R$ 9,9 milhões.
PREFERIDO
Não há qualquer informação confirmada ou oficial. Mas já se fala abertamente pelo Paço que o vereador Ricardo Ruiz vai ser o próximo presidente da Casa de Leis. Poucos duvidam disso, mesmo o parlamentar não sendo do PSDB. Se o fato se concretizar em dezembro, tudo indica que ele será candidato a prefeito. Ou seja, se for mesmo o presidente da Câmara, vai ser difícil impedir sua trajetória.
PAPELÓRIO
Neste final de semana o papelório deve tomar conta das ruas da cidade. A eleição é no domingo e os ‘santinhos’ vão ser jogados em grandes quantidades. Com o dinheiro curto, o material de campanha vai ser despejado somente nos dois dias que antecedem a votação.
VEREADORES
Também neste final de semana muitos vereadores estarão nas ruas ajudando a pedir votos. Há casos de apoio declarado em candidatos que nem sabem onde fica Mairiporã. Mesmo assim, vão contar com o beneplácito dos senhores edis.
CIDADE
O eleitor já está calejado com os paraquedistas que caem em Mairiporã de quatro em quatro anos. Não fazem nada pela cidade e parte da culpa cabe aos políticos locais que trabalham como cabos eleitorais. Seria importante e prudente que desta vez os candidatos da cidade fossem prestigiados.
EXPECTATIVA (I)
A questão que aguça a curiosidade é saber se nestas eleições os chamados ‘candidatos da terra’ vão somar maior número de votos que os forasteiros. Briga indigesta, pois trata-se de uma ‘guerra’ de poucos contra muitos.
EXPECTATIVA (II)
Também há interesse em saber o montante de eleitores que vai deixar de comparecer às urnas. Mairiporã tem mantido média de 30% desde 2014. Apostas estão sendo feitas por toda a cidade.
EXPECTATIVA (III)
Boa parcela da população também demonstra ansiedade para saber qual será a votação do ex-vereador Aladim, que se colocou como candidato a deputado federal. Para muitos, e principalmente para a cidade, seria uma benção ele conseguir se eleger.

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