Polícia Militar atua com metade do efetivo ideal em Mairiporã

MAIRIPORÃ conta com metade do efetivo de PMs (Policiais Militares) considerado ideal pela ONU (Organização das Nações Unidas). A entidade internacional preconiza a existência de um agente para cada grupo de 250 indivíduos. De acordo com o apurado pela reportagem, a cidade tem 95.601 habitantes, segundo o IBGE (estimativa de julho de 2017) e conta com um efetivo de pouco mais de 80 homens (informação oficiosa). Número insuficiente para atender as demandas do setor, que necessita de pelo menos o dobro de policiais.
Diante do cenário, a responsabilidade sobre a Segurança Pública, cuja Constituição determina que é dever do Estado oferecê-la, tem ficado cada vez mais longe das necessidades do município, que passou a contar, no mês de abril, com força auxiliar da Guarda Civil Municipal, cujo efetivo é diminuto.
Desde 2014, quando a Lei federal 13.022 deu à GCM direito ao porte de arma de fogo, mantendo a incumbência de proteção à vida e ao patrimônio público, o discurso de integração das forças policiais tem sido cada vez mais comum. O problema, entretanto, esbarra na falta de investimento necessário para a atuação das duas corporações.
Participação – Estudos desen­volvidos por órgãos espe­cia­lizados em segurança pública apontam que é tendência mundial a maior participação da municipalidade na área, porém o problema das cidades é gastarem seus recursos para sustentar o serviço do Estado, uma disfunção que pode e deve ser corrigida.
Autoridades da área afirmam que há necessidade do Estado estar mais presente na questão da segurança pública, porém a realidade é outra, com contingentes pequenos, equipamentos e viaturas sucateadas e falta de investimento.
Estado – A SSP (Secretaria da Segurança Pública), de sua parte, informa que o Estado conta com efetivo de 85.562 policiais militares e que tem conseguido reduzir a criminalidade.
Para especialistas ouvidos pela GB, existe a necessidade da integração entre as forças policiais, mas ressaltam que é preciso não só isso, como também a otimização de esforços e recursos e uma reforma do sistema de Segurança Pública. Enfatizam ainda que sem isso as ações serão sempre desconexas, o que gera mais insegurança na população e não reduz os números da violência.

Falta de policiais resulta em baixa produtividade

A DEFASAGEM de policiais militares nas ruas tem dificultado o combate ao crime em Mairiporã. O principal impacto de disponibilizar apenas metade do efetivo preconizado pela ONU (Organização das Nações Unidas), de um agente para 250 indivíduos, é a necessidade de se priorizar áreas para a realização de rondas.
Com quadro de profissionais abaixo do ideal, a corporação tende a distribuir suas ações entre pontos específicos, tais como áreas com alta incidência de crimes e regiões onde se concentram os comércios. Moradores reclamam que os demais bairros ficam sem rondas frequentes, ou seja, vulneráveis, o que compromete o serviço. Reflete desde a ausência de rondas regulares na maioria das localidades, como também na diminuição de prisões e apreensões. O déficit é de pelo menos 100 PMs na cidade.
Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) dos últimos três anos apontam que a produtividade policial na cidade apresentou ligeira queda. Cada vez mais prisioneira dentro da própria casa, a população reza e conta com a sorte para não engrossar as estatísticas criminais em Mairiporã.

 

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