Mairiporã é a cidade da região com maior número de cesarianas

MAIRIPORÃ é a cidade com maior número de partos realizados por meio de cesáreas na região e sua média é maior que a do Estado de São Paulo, e uma das maiores dentre todas as cidades paulistas.
Embora a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomende que apenas 15% dos partos sejam realizados por meio de cesáreas, 65% dos nascimentos na cidade foram feitos via intervenção cirúrgica em 2016. Os dados fazem parte do DataSus (banco de dados do Ministério da Saúde) e correspondem aos números mais atualizados disponíveis. No País, o índice é de 55,6%, também inferior ao de Mairiporã.
Na contramão do que pede a agência subordinada à ONU (Organização das Nações Unidas), o município observou leve aumento nas taxas no período de dez anos.
A cesárea, cirurgia de médio porte, é recomendada em casos de complicações para a mulher e para o bebê, no entanto, especialistas atribuem a alta taxa de intervenções do tipo à comodidade, compatibilização de agendas entre mães e médicos (principalmente na rede privada), à relativa praticidade do procedimento cirúrgico – que não dura além de duas horas -, e também ao receio que muitas mulheres cultivam em relação ao parto normal.
A Secretaria Municipal da Saúde nada informa sobre o assunto e se atua de forma a contribuir para a redução do quadro, muito distante do ideal.
A cidade com menor número de cesarianas é Francisco Morato, com 47,01% do total, seguindo-se Franco da Rocha (51,94%), Cajamar (55,12%) e Caieiras (57,63%). A média no Estado é de 59,40% e nas cinco cidades da região (53,25%).
Medidas – A OMS (Organização Mundial de Saúde) anunciou 56 medidas que objetivam minimizar o número de partos feitos por meio de cirurgia. Um dos alertas é que a dilatação cervical precisa ser repensada. O ritmo de um centímetro por hora de dilatação na primeira fase do trabalho de parto – padrão usado para medir o progresso do caso – seria “irrealista” para algumas mulheres e poderia ser “inexato para identificar gestantes sob risco”.
Pelas novas recomendações da OMS, taxa de dilatação mais lenta não deve ser indicador de rotina para determinar se uma intervenção deve ou não ocorrer para acelerar o trabalho de parto.
A OMS ressalta que o envolvimento da mulher nas decisões do trabalho de parto poderia mudar essa realidade. A entidade pede que os médicos informem às grávidas sobre a duração do parto. A organização frisa ainda que uma redução no número de cesáreas desnecessárias liberaria recursos para casos nos quais o risco é real.

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