Princípio de Lampedusa

As inúmeras operações da Polícia Federal em andamento para prender corruptos, em sua maioria senadores e deputados, com extensão ao presidente da República, não têm sido suficientes para barrar uma reforma política que se discute neste momento no Congresso, e que são nefastas aos interesses da população.
Verdade seja dita, nossos parlamentares fingem que vão fazer uma reforma e na verdade adotam o princípio de Lampedusa, de que “é preciso mudar para que tudo fique como está”. E certamente podemos acrescentar, ‘se possível, melhor do que é’.
Dentre as modificações que se pretende, para valer já nas eleições do ano que vem, está a criação do ‘Fundo para a Democracia’, que dá aos candidatos cerca de R$ 3,6 bilhões dos pobres e cansados contribuintes. Cínicos!
Quem acompanha os métodos de se fazer eleições no País deve ser lembrar que há pouco tempo essa verba pública, para rechear os bolsos dos políticos, era coisa de R$ 200 milhões. Inversamente aos reajustes dos salários dos brasileiros, rapidamente saltou para R$ 800 milhões. Com a proibição de se amealhar recursos junto à iniciativa privada, que se mostrou tão corrupta quanto a classe política, surge essa proposta bilionária, mesmo em tempos de crise econômica que arrastou para o desemprego cerca de 14 milhões de brasileiros e gerou 60% de inadimplentes. O próprio Governo Federal anunciou que não tem como cobrir o déficit orçamentário da União, ou seja, não consegue estancar os gastos para se manter em pé.
Num País de incautos, que passam anos, décadas até, elegendo sempre os mesmos vagabundos, ladrões, picaretas e amantes do nepotismo, essas práticas estão próximas de não indignar mais ninguém. A seguir nessa toada, há de chegar o tempo em que os honestos serão varridos do território brasileiro.

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