Coluna do Correio 7/7/17

FRASE
“Somos feitos de carne, mas temos que viver como se fossemos de ferro.” (Sigmund Freud, psicanalista checo)

DESCRENÇA
O pai da psicanálise, Freud, resume na frase que abre esta coluna a situação do povo brasileiro e da maioria do planeta. O ser humano se perde na descrença sobre seus governantes e, sem muita esperança, vive na ilusão de que o amanha será melhor. Tomara!

SEMESTRE
Quem im aginava que a nova composição da Câmara mudaria alguma coisa no modo de se fazer política, perdeu tempo. Nos primeiros seis meses do ano o que se viu foi uma pasmaceira sem precedentes na história do Legislativo. Não se discutiu nada, não se apresentou nada, ou seja, mais do mesmo, porém com frustração total das expectativas da sociedade. Como se diz por toda a cidade, a pior composição que a Câmara já teve até hoje. Infelizmente! Um semestre perdido, com expectativa de seguir assim até 2020.
PLANTA (I)
Governar uma cidade dá trabalho, cansa, esgota quem se predispõe a trabalhar de verdade por ela. A cidade espera, há longos anos, que a criatividade e a vontade política de fazer sejam adotadas por aqueles que administram a Prefeitura, porém são relegadas a plano secundário. Uma das saídas para se reforçar o caixa municipal seria, por exemplo, elaborar uma nova Planta Genérica de Valores (PGV), que dê justiça tributária ao contribuinte e estimule o pagamento de impostos. A seguir no passo atual, dificilmente haverá mudança na relação entre o município e os cidadãos.
PLANTA (II)
A última vez que a PGV passou por ampla revisão foi em 1993, quando Sarkis Tellian assumiu a Prefeitura. Sem a sua visão de futuro, e a cidade estaria hoje administrando o funcionalismo público. A atual gestão tem que rever a PGV, sem o que Mairiporã vai permanecer patinando e dependendo das ‘esmolas’ de outras esferas governamentais, que todos sabem não beneficiam a cidade.
CONTRATOS (I)
Os vereadores Carlos Augusto Forti (Gusto) e Chinão Ruiz, ambos eleitos pela coligação que apoiava a candidatura à reeleição do prefeito Márcio Pampuri, aderiram ao atual governo dois dias depois das eleições. E agora são ‘fieis’ soldados do prefeito Aiacyda. Na última sessão legislativa do primeiro semestre, Gusto encaminhou pedido à Prefeitura, para que envie cópias dos contratos relativos à construção do Parque Linear, sob o argumento de melhor avaliá-los. Como o edil não é do ramo, difícil imaginar o que ele, ou mesmo seus pares, irão avaliar.
CONTRATOS (II)
Em aparte ao vereador, seu colega Chinão Ruiz aproveitou para criticar a pista de skate do parque, que no seu entender foi mal construída. Fica, nos dois casos, uma única pergunta: tivesse Pampuri sido reeleito os dois ‘nobres’ vereadores pediriam para ver contratos ou tecer críticas ao que foi feito? Lamentável! É esse tipo de política que ainda se vê por aqui. Isso é o que se chama, em linguajar popular, ‘cuspir no prato que comeu’.
AVALIAR
O motivo ninguém sabe. Mas o vereador Gusto, na última sessão do semestre, na hora em que seria votada a LDO, cuja única emenda determina que qualquer movimentação dentro do orçamento precisa de autorização legislativa, pediu para que a sessão fosse suspensa por cinco minutos para melhor avaliar a proposta. Duas questões se impõem sobre a atitude do vereador: Primeiro, se não é para ter autorização da Câmara, melhor fechar o prédio e entregar as chaves ao prefeito. Segundo, essa história de suspender sessão para avaliar projetos é de um amadorismo inaceitável. Vereador é pago para, uma vez em plenário, ter total conhecimento do que será discutido e votado. Se não sabe, é porque não esteve na Casa de Leis durante a semana e nem se ateve ao que iria ser colocado para votação.
APROVADAS
O ex-prefeito Márcio Pampuri teve suas contas do ano de 2014 aprovadas pelos vereadores antes do recesso legislativo. A aprovação foi um bálsamo para os vereadores Marcinho da Serra, Nil Dantas e Valdeci América, que não são bem-vindos ao gabinete do atual prefeito, nem têm coragem de ser oposição.
PRÓXIMAS
O ex-prefeito, no entanto, que não se deixe enganar. As próximas contas devem ter tratamento diferente por parte dos senhores parlamentares, até por conta do ‘modus operandi’ do prefeito Aiacyda.
CALADO
Ex-aliado de Márcio Pampuri, o vereador Ricardo Barbosa, agora integrante da tropa de choque de Aiacyda, foi patético ao fazer uso da tribuna para explicar porque votaria a favor das contas do ex-prefeito. Agora tucano, perdeu a chance de ficar de bico fechado.
PRESSÁGIOS
Maus presságios estão sendo estimados por um influente líder político local, com relação ao comportamento e eficiência dos atuais vereadores. Ele chegou a dizer que a atual composição corre sério risco de ser a pior das últimas duas décadas. Pelo andar da carruagem…
REDUÇÃO
Em algumas cidades, como São Bernardo do Campo, vereadores querem reduzir o número de cadeiras. Isso tem uma explicação: não querem reduzir a quantidade de assessores. Os promotores públicos exigem a demissão do que considera excessivo no quadro de servidores comissionados e aí essa foi a saída encontrada pelos senhores edis. A medida até que não é ruim, pois o custo de cada vereador se equipara ao de pelo menos dois assessores.
NUNCA ANTES…
Interessados em cargos públicos que prestaram concurso na Prefeitura continuam fugindo da convocação. Na semana passada foram convocados os aprovados para enfermeiro (o que ficou na 22ª colocação) e as psicólogas colocadas em 12º e 13º lugares. Ou seja, 21 enfermeiros e 10 psicólogas declinaram do emprego. Parodiando o ex-presidente Lula, ‘nunca antes nesta cidade…’ houve tanta recusa de cargo público.
AÇÕES
Inúmeras ações correm na Justiça local envolvendo vereadores, ex-vereadores, o atual e o ex-prefeito, tudo por conta da intervenção do Ministério Público, e de representações feitas pela OAB e outros advogados. Por enquanto, nada se sabe. A lentidão do Judiciário não é novidade. Dois sobrinhos do prefeito Aiacyda, por exemplo, deverão ser (se ainda não foram), exonerados dos cargos para os quais foram nomeados pelo ‘titio’, a pedido do Ministério Público. Isso aconteceu seis longos meses depois de várias denúncias. Antes tarde do que nunca.
SEM POMPA
O prefeito Aiacyda deu posse ao novo secretário da Saúde, Omacir Bresaneli, sem nenhuma solenidade. Ou seja, a pompa e circunstância do time nomeado no dia 1º de janeiro foram deixadas de lado. Em baixa perante a opinião pública, a recomendação ao governo é não se expor ainda mais.
SEM PRAZO
A volta da Zona Azul não tem prazo. Pelo menos foi essa a informação obtida pela coluna junto ao órgão responsável. Esculhambação total. O trânsito é caótico, o número de vagas é diminuto e agora quem chega primeiro estaciona e só sai à noite. Quem deve estar gostando dessa situação é o comércio, cujas vendas já não andam lá essas coisas.
SEMÂNTICA
No estado norte-americano de Nevada a venda e o consumo de maconha foram legalizados e a comercialização começou a valer no dia 1º último. O interessante é que a lei aprovada fala em ‘consumo para uso recreativo’. Apenas uma questão de semântica, que vai render mais de US$ 60 milhões em receitas fiscais nos próximos dois anos. O dinheiro vai para a educação. Por aqui, com ou sem semântica, o uso e a venda da erva corre solta e sem pagar impostos.

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