Quando tínhamos vereadores de oposição

A população de Mairiporã tem assistido semanalmente os vereadores blindarem o governo municipal de se explicar sobre questões importantes e que não foram solucionadas. Pior, que representam prejuízos aos cofres públicos, como é o caso do Centro Educacional.
Reina em plenário, durante as reuniões ordinárias, uma perfumaria escandalosa, como se a cidade não tivesse qualquer tipo de problema. Aprova-se tudo sem discussão, pede-se o óbvio (lombadas, iluminação, operação tapa-buracos, nomenclatura de ruas e concessões de títulos de cidadania) e não se discute absolutamente nada. Uma vergonha!
Há também aqueles que promovem verdadeira enxurrada de pedidos de informações e requerimentos, que ou não são respondidos pelo Executivo ou as respostas são escondidas pelos vereadores.
A questão relativa ao Centro Educacional nunca foi abordada em plenário. Evita-se o assunto e o papel que lhes cabe constitucionalmente, que é o de fiscalizar o Executivo e defender os interesses da sociedade, é relegado a plano secundário.
Esse tradicional jogo de interesses macula o Poder Legislativo, porém os nossos intrépidos parlamentares estão mais preocupados com os interesses pessoais. A blindagem ao prefeito é incondicional, o que nos leva a acreditar o quanto a gestão Aiacyda, assim como foi com Márcio Pampuri, não aceitam questionamentos.
Prevalece de forma inaceitável um grupo dominante e de uns poucos oposicionistas que, envergonhados pelo papel de minoria, resolvem aderir ao poder emanado do Executivo. O preço disso tudo são fartas nomeações de cabos eleitorais em cargos comissionados. O bloqueio à oposição é um ato criminoso, antidemocrático.
Assistindo a toda essa vergonha, lembramo-nos que um dia tivemos um parlamento formado por vereadores que fizeram oposição ao mesmo prefeito que hoje ocupa o Palácio Tibiriçá e que tornaram públicas discussões importantes.
Nomes como Valdecir Odorico Bueno, Osvaldo Loureiro Filho, Júlio Ruiz e Dayvid Alves ousaram quebrar o círculo vicioso que impera na Câmara e foram opositores ao Executivo no período 2009/2012. Nessa lista pode-se colocar até mesmo Eduardo Pereira dos Santos e Marcinho da Serra, quando ordenavam seus pensamentos de modo a atender aos reclamos da população. E seria injusto não citar o líder do prefeito à época, Glauco Costa, que tinha cabedal suficiente para manter, com a oposição, diálogos inteligentes. Hoje temos ‘representantes dos próprios interesses’.
Pobre Mairiporã!

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