Coluna do Correio 23/6/2017

FRASE
“Pessoas elevadas falam de ideias; pessoas medianas falam de fatos; pessoas vulgares falam de pessoas.” (Leandro Karnal, historiador brasileiro)

DESGASTE
Alguns vereadores começaram a acordar para a realidade vivenciada pela população. Temem que o desgaste que consideram natural em início de mandato se estenda para os próximos anos. Dois deles chegaram a dizer que se o trabalho legislativo seguir na pasmaceira atual, o descrédito só tende a crescer perante a opinião pública. Consideram que uma mudança na forma de agir, sem que necessariamente implique em ser oposição sistemática ao prefeito, será salutar, inclusive para as eleições de 2020.

BOA VIDA (I)
Nos bastidores do Palácio Tibiriçá é visível o desconforto dos funcionários concursados, diante da ‘boa vida’ que muitos dos comissionados estão levando. A maioria deles não faz nada e ganha muito. Um corte no número desses apadrinhados seria oportuno, pois além de acabar com a imagem de ‘ociosos bem pagos’, ajudaria a reduzir as despesas com a folha salarial.
BOA VIDA (II)
Outro aspecto dessa boa vida é reforçado pelo fato de a Prefeitura não estar realizando nada, diante da escassez de recursos, incompatível com o número de comissionados instalados no Paço.
BICO FECHADO
A tucanada de Mairiporã, em especial os integrantes da bancada na Câmara de Vereadores, ficou de bico fechado e evitou comentar a continuidade do partido na ‘barca furada’ do presidente Michel Temer. Sem visibilidade e sem requisitos políticos, os vereadores do PSDB optaram pelo silêncio. Vergonhoso!
BICO ABERTO
Um passarinho muito bem informado piou esta semana que o processo que levou à condenação o vereador Marcinho da Serra, que agora tramita em instância superior através de recurso, pode até não alcançar o término de seu mandato em 2020. Mas garantiu que ele ficará inelegível a partir daí. Resta esperar para conferir.
DECEPÇÃO
Aqueles que sofrem de insônia e por isso mesmo assistem às sessões da Câmara, ficaram revoltados na terça-feira retrasada. Nenhum parlamentar ousou dar ‘parabéns’ a quem quer que fosse. Nem aos próprios pares. Com esse comp ortamento a disputa entre os dois parlamentares (Carlos Augusto Forti e Nando Ribeiro) que gostam de vivas, hipi-hipi-hurras! e parabéns, ficou sem pontuação. Mas essa ‘falha’ foi corrigida esta semana, quando os dois voltaram com a costumeira enxurrada de parabéns.
GASTÕES
Entre os vereadores que mais gastaram nos primeiros cinco meses, destaca-se o presidente da Câmara. Em seguida aparecem Chinão Ruiz, Wilson Sorriso, Valdeci América e Doriedson. Mesmo com toda a tecnologia colocada à disposição dos gabinetes, o consumo de material de escritório responde por mais de 70% dos gastos. Para sorte da população, que é quem paga a conta, os senhores edis não contam mais com automóveis, motoristas e dois ou três assessores.
DESINFORMADO
Os políticos precisam entender que a iniciativa privada não é, nem de longe, algo que se pareça com o serviço público. O vereador Chinão Ruiz enviou dois ofícios à empresa Arteris, concessionária da Fernão Dias, pedindo a instalação de pontos de ônibus num determinado bairro e que o campo de futebol do antigo time do Paulista fosse reativado. Como o parlamentar é desinformado, recebeu como resposta que ponto de ônibus é problema da empresa de ônibus que opera na cidade e que a área do campo precisa ser identificada, inclusive com medidas e confrontações, além de fotos.
EQUAÇÃO
No governo municipal há uma equação que não fecha. Com uma produção quase industrial de multas de trânsito, a Secretaria de Mobilidade Urbana não consegue disponibilizar, com folga em seu estoque, talonários de Zona Azul. Em curtos períodos o sistema rotativo de estacionamento pago no centro da cidade é suspenso. Estranha essa situação. Seria oportuno que o órgão responsável pelo setor divulgasse o que é feito com o dinheiro arrecadado. Uma parte, segundo a legislação, pode ser disponibilizada para a área da Saúde. Eis aí outra questão que também seria de bom tom ser levada ao conhecimento da população.
AMBIENTE (I)
Mairiporã não apareceu nem de longe (nem mesmo usando binóculo) na primeira avaliação da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, através do programa Município Verde Azul, que anualmente analisa o comportamento das cidades em relação ao cumprimento de metas ambientais. Ainda faltam outros dois levantamentos para fechar a lista com aquelas que conseguirem mais de 80 pontos, que dá direito a um selo. Nossa cidade está muito distante de atender aos requisitos básicos. Como por exemplo, rede de coleta e tratamento de esgoto.
AMBIENTE (II)
Mesmo com um quadro caótico na preservação ambiental, alguns setores do governo municipal fazem festa com a possibilidade de conseguir ingresso na lista das cidades de ‘interesse turístico’. Difícil imaginar que se pleiteie tal posição quando apenas 30% dos moradores contam com rede de esgoto.
MOVIMENTO (I)
Comentários ouvidos em diferentes segmentos da sociedade dão conta de que há um movimento em marcha, de cidadãos ilustres da cidade, interessado em questionar o Poder Judiciário local sobre questões que parecem insolúveis, como o fechamento do Centro Educacional e o não funcionamento do novo hospital. Classificam como inaceitáveis a demora que se vê, pois ambos os prédios foram construídos com dinheiro público e consumiram algo em torno de R$ 15 milhões. O pessoal parece disposto a cobrar de verdade.
MOVIMENTO (II)
Em relação ao novo hospital, avaliam que com um pouco de esforço da Prefeitura ele poderia funcionar. O dinheiro hoje destinado ao Hospital e Maternidade Mairiporã, com um pequeno incremento, daria para fazer o Anjo Gabriel funcionar e transformar o velho hospital em um pronto-socorro.
AQUI NÃO
No ano passado, em ações dignas de Hollywood, o Ministério Público invadiu a Câmara de Vereadores em busca de documentos que comprovassem a denúncia de que nos gabinetes, assim como na Prefeitura, estaria ocorrendo tráfico de influência que ficou conhecido como ‘fura-fila da Saúde’. Vereadores usavam do cargo para atender com rapidez seus eleitores, em detrimento de quem estava na fila para agendar consultas e exames. Em Sorocaba, ação semelhante está conclusa e foi encaminhada para decisão do magistrado, depois de farta divulgação nas mídias. Por aqui, reina o mais absoluto silêncio.
LENGA-LENGA (I)
Os anos passam, as promessas se renovam e a implantação do Plano de Cargos e Salários dos servidores municipais segue jogada em alguma gaveta. Pelo comportamento das administrações que passaram pelo Palácio Tibiriçá nas últimas duas décadas deu para entender que a Prefeitura não tem nenhum interesse em sua implantação. O que soa estranho é o sindicato da categoria engolir calado e não cobrar, mesmo que judicialmente, que os servidores passem a ter um instrumento que norteie suas carreiras.
LENGALENGA (II)
Um exemplo cristalino de que a categoria tem sido lesada ao longo dos anos, tem relação com a aposentadoria do servidor. Enquanto está na ativa, recebe salários, gratificações por função e por participação em comissões. Quando chega a hora de se aposentar, perde todos os benefícios e fica apenas com o salário-base, pelo qual foram feitas as contribuições. Essa lei que obriga o recolhimento previdenciário apenas pelo salário-base, também precisa ser mudada.
LENGALENGA (III)
O funcionário público municipal, quando se aposenta, vê sua qualidade de vida ir por água abaixo. E tem que optar entre passar por dificuldades ou buscar emprego na iniciativa privada, que não tem complacência com pessoas de 60 anos ou mais. Esse lengalenga tem que acabar. Já que a Prefeitura se faz de morta, o sindicato tem que cumprir sem papel.
CAMINHÃO
Em que deu a história do caminhão de coleta seletiva de lixo transportar cestas básicas? Não se fala mais sobre o assunto nem se tem confirmação de que foi aberto inquérito administrativo.
INCRÍVEL
É incrível que uma pessoa, nos dias de hoje, recuse vaga no serviço público, especialmente aquela conquistada através de concurso. Com mais de 14 milhões de desempregados, ainda há quem desista. No caso da Prefeitura de Mairiporã, isso tem ocorrido com frequência. Em sua última edição, a Imprensa Oficial do Município trouxe publicado o termo de desistência da candidata aprovada na 10ª colocação para a vaga de psicóloga. Na mesma publicação, convocou a 11ª. Ou seja, dez psicólogas declinaram do convite para trabalhar na saúde pública municipal. De duas uma: ou as condições de trabalho são ruins ou os salários ainda piores. Mas podem ser as duas coisas.
DIÁRIO
Mais um pouco e a Imprensa Oficial do Município, cuja publicação era semanal, pode vir a ser Diário Oficial do Município. Em 25 semanas, de janeiro até hoje, já foram 42 edições. A impressão que fica é se há, entre a Imprensa Oficial e o Departamento de Trânsito, uma disputa em escala industrial. Edições x multas.
ROMBO
Os Correios projetam para este ano um rombo em suas contas de R$ 1,3 bilhão. E ninguém explica como se chegou a essa cifra gigantesca. Por essas e outras, o distrito de Terra Preta vai continuar sem ter a sua agência e o cidadão seguirá em sua árdua tarefa de se deslocar até Mairiporã para utilizar os serviços postais.
A LUZ
O nível de corrupção no País é tamanho, que alcançou todos os poderes da República. Ninguém escapa. Pede-se agora a saída do ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal. Mais um pouco e uma citação que ficou famosa nos anos 1980 voltará a ser utilizada: ‘o último que sair apague a luz’.
ALIENISTA
Essa corrupção desenfreada nos remete ao conto de Machado de Assis, O Alienista, que narrava a história de um respeitado médico que chegou a uma pequena cidade, abriu uma clínica psiquiátrica e primeiro começou a internar os loucos e, depois, todos os demais moradores. Só ele sobrou do lado de fora. Sérgio Moro começou a prender autoridades brasileiras e pode acabar colocando todos os políticos, empresários e banqueiros no xilindró.

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