Comissionados e cofres vazios

A frase que dá título a este editorial chega a ser um contrassenso em se tratando da Prefeitura de Mairiporã, mas é absolutamente verdadeira. Enquanto a arrecadação despenca, o prefeito abarrota o quadro de servidores com muitos comissionados, inclusive por indicação de vereadores, e se permite, por exemplo, a aumentar o número de secretários municipais.
Próxima dos 100 mil habitantes e ainda sem vocação definida (muito se fala em turismo, mas como assim classificá-la se não possui 30% de rede de esgoto), Mairiporã experimenta um retrocesso que vai lhe custar caro lá na frente.
Com um prefeito que não é gestor, é só político, com um quadro de secretários que não tem autonomia de voo e uma Câmara de Vereadores que ainda não disse a que veio, o quadro não é nada animador.
Ao tomar posse, após a vitória nas urnas, o tucano afirmou ter herdado um município quebrado, com rombo no caixa. Cabe aqui um parênteses: se existe ou não esse rombo, ele não foi dado a conhecimento público, através de documentos oficiais, nem se ouviu da parte do governo, que foi feita ou está em andamento uma renegociação dessas dívidas, e como isso ocorreu. Por fim, o prefeito, que já ocupou o cargo em outras duas oportunidades, sabia perfeitamente aquilo que estava herdando de seu sucessor, fosse bom ou ruim.
O que não se explica, muito menos se aceita, é num momento crítico da economia inchar o quadro de funcionários com comissionados (apadrinhados e cabos eleitorais) que não tem qualquer compromisso com o governo e com a cidade, e criar despesas desnecessárias.
A cobrança pela terceirização do novo hospital é pertinente, mais que isso, é imperiosa, pois cidades vizinhas, como Bragança Paulista, usaram desse meio para fazer funcionar UPAs, AMEs e hospitais municipais e gastando menos do que a Prefeitura de Mairiporã gasta hoje na área hospitalar.
Por não ser gestor, Aiacyda não fala em plano de recuperação financeira e quando haverá estabilização da economia no município. Certamente não fala, pois isso exigiria, de imediato, enxugamento da máquina, corte de despesas e transparência no trato com a coisa pública.
Mairiporã já voltou no tempo inúmeras vezes, e perdeu o bonde da história ao não eleger nomes que poderiam ter levado a cidade ao desenvolvimento. Vamos ter que esperar mais quatro anos para voltar a sonhar com um gestor cujo currículo o credencie como administrador?

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