Coluna do Correio 10/3/2017

FRASE
“É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota, do que falar e acabar com a dúvida.” (Abraham Lincoln, ex-presidente dos EUA)

DEPÓSITO
O Ministério Público tem que investigar, com rapidez, os motivos que levaram o prefeito a transformar um hospital que custou R$ 9 milhões, dinheiro público, em depósito para guarda de material e outras quinquilharias. Um crime! A cidade espera há mais de 30 anos por um hospital com infraestrutura que ofereça boas condições de atendimento e agora assiste a um descalabro sem precedentes na história política da cidade. O Hospital tem que funcionar, o Ministério Público, que representa os interesses da sociedade, tem que cobrar.

REAJUSTE
Na cidade mineira de Formiga, Minas Gerais, que tem 68 mil habitantes, os vereadores tiveram que revogar o reajuste salarial que se concederam, de 6,58%, diante de forte pressão popular. Passariam a ganhar R$ 6.918,41. Em Mairiporã projeto semelhante dorme em alguma gaveta da Câmara, depois que os vereadores recuaram da iniciativa de aumentar os subsídios para R$ 8,4 mil, diante da pressão que sofreram da imprensa e das redes sociais. Mas é preciso estar atento, pois o projeto só foi suspenso, não retirado.
ESCONDIDOS
Os decretos que nomearam os secretários municipais continuam escondidos. O site oficial da Prefeitura não inseriu a primeira edição do ano da Imprensa Oficial, que traz os nomeados. No link ‘governo’, também no site, não aparecem os nomes dos indicados às secretarias de Governo, Esporte, Cultura e Lazer, Meio Ambiente e o titular da Procuradoria Geral do Município. O interessante é que alguns integrantes do governo se dizem ‘secretários’. Estariam ganhando como tal? O que o prefeito quer esconder não divulgando as nomeações?
ORATÓRIO (I)
As sessões da Câmara ora parecem oratório de confessionário de igreja, em que os promitentes vão anualmente pagar promessas e agradecer as graças e desgraças (sim, agradecer desgraça também, porque há males que vem para o bem), ora uma confraternização entre amigos. Essa tem sido a prática de muitos vereadores.
ORATÓRIO (II)
Todo político deveria saber se expressar. É o mínimo que se exige. Alguns vereadores, no entanto, se expressam mal quando discursam ou se veem na condição de discutir projetos que serão votados. Os erros cometidos são um verdadeiro assassinato à língua pátria, ou seja, são crassos, inadmissíveis para a posição que ocupam e principalmente para o que deveriam representar perante a sociedade.
NÃO PIAM
Quem assiste aos trabalhos legislativos, tanto ao vivo quanto pela internet, não entende porque os vereadores não falam sobre os problemas que a cidade enfrenta, nem mesmo se interessam na busca de soluções. Para os 13 vereadores tudo está às mil maravilhas. Ninguém cobra nada, ninguém pede explicação, ninguém se habilita a falar sobre a Saúde, sobre o novo hospital, sobre a falta de médicos, de medicamentos, enfim, questões importantes para a sociedade. Diante desse quadro, é inevitável perguntar: “E aí, vereadores, vamos pelo menos justificar os R$ 8 mil por mês que o povo paga aos senhores?”
MUDAR
As indicações apresentadas pelos vereadores durante o mês de fevereiro são as mesmas de anos anteriores, cujos temas versam sobre operação tapa-buracos, construção de lombadas, patrolamento e cascalhamento de ruas, corte de árvores, limpeza de bocas-de-lobo, melhora no sinal do celular, ampliação de horários de ônibus circulares, enfim, tudo dito e repetido ao longo de décadas. Esse quadro, por si só, já denuncia que os vereadores produzem muito pouco ou quase nada. Os senhores edis precisam discutir questões importantes e propor projetos de alcance social. Esse blá blá blá custou a reeleição de sete vereadores nas eleições do ano passado.
CRÍTICAS
Essa postura adotada pelos vereadores logo no início do mandato tem merecido críticas de lideranças comunitárias. A falta de empenho na defesa dos interesses dos bairros tem sido destaque nas conversas populares. A maioria diz que falta interesse na solução de problemas gerais, que não há discussão dos problemas e falta de objetividade. A resposta pronta de que não há dinheiro não convence mais.
VÍCIO
É voz corrente nos corredores da Câmara que o vereador Marcinho da Serra faz uso constante de um velho dito popular: “o lobo perde o pelo, mas não perde o vício”. Traduzindo: o vereador voltou a contar com dois assessores em seu gabinete, quando a determinação legal é de um só. Quem paga esse segundo servidor? Um bom assunto para o Ministério Público.
NA AVENIDA (I)
A “ala da política”, formada basicamente por vereadores, embora não fizesse parte de nenhum bloco, esteve presente na avenida, todas as noites de Carnaval. A presença, no entender deles, é ponto positivo junto ao eleitor. Bobagem. Isso ocorreu em outros anos e aqueles que mais puxavam o saco de sambistas acabaram derrotados nas urnas.
NA AVENIDA (II)
Parte do primeiro escalão do prefeito Aiacyda também marcou presença na avenida. Secretários deram o ar da graça, mais para serem vistos pelo chefe do que por vontade de curtir o Carnaval. Integrantes do governo anterior também foram notados em meio à folia.
LEMBRETE
Os digníssimos senhores vereadores devem estar atentos quando declararem o imposto de renda. É obrigatória a descrição das doações feitas na campanha eleitoral do ano passado. Quem não o fizer está sujeito a uma multa de 150% do valor sonegado. Os que se acham espertos podem acabar na malha fina da Receita Federal.
SUMIRAM
Nada como uma boa ‘boquinha’ no serviço público para calar a boca de habitués das redes sociais, que nos últimos quatro anos deitaram e rolaram nas críticas ao governo da época. Parece que os responsáveis pelas calúnias habituais veiculadas pela pistolagem tucana nos porões da internet arrumaram o que fazer.
ATAQUE
Pessoas que gozam da intimidade do gabinete do prefeito relataram que Aiacyda já está muito além da beira de um ataque de nervos. Diferentemente de seus dois governos anteriores, quando chovia dinheiro na administração, a conversa agora é outra. Resta saber se a equipe escolhida por ele para administrar a cidade tem experiência em ‘tempos de vacas magras’ e de ‘dinheiro curto’.
NO CONDADO…
Naqueles dias que se seguiam, num pequeno condado, o bobo da corte, homem falante, gordinho, sorridente, que por vezes é requisitado para conduzir a carruagem de seu comandante, foi visto recebendo a ‘derrama’ dos súditos locados no palácio, como forma de ‘gratidão’ pelas nomeações. Se isso ocorresse nos tempos atuais seria chamado de ‘pedágio’. E viva a Idade Média!
MULTA
Em várias cidades do Estado de São Paulo as prefeituras multam os bancos que não cumprem lei sobre atendimento dos clientes em até 15 minutos. Em Mairiporã, o prefeito não se preocupa com essa questão. E não é de hoje, faz tempo, pois a lei data de 2005.
SURUBA
A fala do senador Romero Jucá, sobre foro privilegiado no Brasil, até que fez sentido. Se é para restringir o privilégio, é preciso que ‘a suruba’ alcance todos os poderes, não só o político. Ou seja, quer que Legislativo e Executivo tenham a companhia do Judiciário nesse pacote.
PERFEITA
A frase que abre esta coluna não é perfeita para alguns políticos de Mairiporã?

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