Tapa na cara

Sob a argumentação de reorganizar administrativamente a Prefeitura, os vereadores não pensaram duas vezes em aprovar um projeto do Executivo, votado em sessão extraordinária, sem conhecimento público, criando 14 cargos comissionados que podem absorver 145 funcionários de livre nomeação do prefeito e dos próprios parlamentares.
E os salários são de monta considerável, boa parte superior a R$ 4 mil. A aprovação se deu em meio ao discurso teatral do prefeito de que não há dinheiro nos cofres públicos.
O que causa estranheza é o Legislativo dar aval a quantidade desses cargos sem que haja a obrigatoriedade de concurso. Todas essas ‘boquinhas’ são para preenchimento na Prefeitura. São salários cuja média é muito superior do que recebe a classe trabalhadora de Mairiporã.
Com dinheiro em falta por conta do impacto da crise econômica enfrentada pelo País, que gerou 12 milhões de desempregados e queda no faturamento das empresas, essa reestruturação da Prefeitura, é bom frisar, com aval dos vereadores e aprovada a toque de caixa, é um tapa na cara de toda a sociedade.
Nenhum dos 13 vereadores questionou falta de tempo para analisar o projeto e perguntar se há recursos para a criação desses cargos e se de fato existe necessidade dentro do atual quadro de funcionários. A aprovação foi na base do vapt vupt.
Está mais que evidenciado que para promover o apadrinhamento de cabos eleitorais e correligionários, a classe política parece não temer nada, mesmo sabendo que isso vai gerar insatisfação popular. Por isso mesmo, não se trata de mera coincidência. Tudo feito de caso pensado.
Se o governo anterior necessitou demitir mais de 100 funcionários comissionados, e financeiramente nada mudou na Prefeitura, como a nova administração pretende pagar os bons salários aprovados pela Câmara?
Também causa estranheza Mairiporã estar na contramão da maioria das cidades brasileiras, ao ampliar o número de secretarias. Quem tem objetivos claros de bem administrar e com transparência, reduziu substancialmente o total dessas pastas.
Isso posto nos leva a crer que mais uma vez a propalada austeridade com o dinheiro público ficou só nos discursos de campanha eleitoral dos eleitos.

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