Coluna do Correio 17/2/2017

A VERDADE
Essa ‘briga’ entre o ex-prefeito Márcio Pampuri e o atual ocupante do Palácio Tibiriçá, Antônio Aiacyda, sobre a existência de dívidas ao final do ano de 2016, precisa não só ter um fim, mas trazer à luz a verdadeira situação dos cofres públicos. Márcio diz que deixou tudo em ordem, e Aiacyda, bem ao seu estilo, que herdou uma dívida monstruosa. Ambos precisam dar explicações ao povo e que estas venham acompanhadas de farta documentação.

DEFESA (I)
Logo em seu primeiro discurso na volta ao parlamento, o vereador Carlos Forti, eleito pelo PTB, que apoiou a candidatura de Márcio Pampuri a prefeito, fez forte discurso em favor da nomeação do filho do prefeito para ocupar a Secretaria de Obras e Serviços Urbanos. Afirmou que se trata de pessoa competente para a função. Só não disse se isso é legal e moral.
DEFESA (II)
Em vídeo que circulou pelas redes sociais, o prefeito Aiacyda, pai do secretário de Obras, também fez defesa enfática de seu ‘pimpolho’, citando inclusive que ele possui duas faculdades e é muito competente para a função. De quebra, disse que ele, o filho, e a mulher, que é secretária de Assistência Social, não precisam dos salários. Se seguirem nos cargos deveriam demonstrar o verdadeiro amor que sentem pela cidade e doar seus ganhos a entidades filantrópicas.
LÍDER
Para quem conhece o meio político, não causou surpresa a nomeação de Carlos Augusto Forti como líder do prefeito na Câmara. Inimigos figadais desde o pleito de 2004, quando trocaram insultos ‘cabeludos’ durante a campanha, agora juram ‘amizade eterna’. Como diz o ditado, nada como um dia depois do outro e uma noite no meio.
CAMPANHA
Pelo comportamento de alguns vereadores durante suas intervenções que fazem nas sessões, o filho do prefeito parece ter dado início à campanha visando a Prefeitura em 2020. Pelo menos dois foram escalados para elogiar o secretário de Obras todas as terças-feiras: o líder Carlos Forti e o secretário da Mesa, Fernando Ribeiro.
TRISTE
O vereador Marcinho da Serra, durante a sessão legislativa desta semana, se disse triste porque a empresa Firpavi, responsável por algumas obras de pavimentação, paralisou os trabalhos. O interessante é que até dezembro do ano passado, enquanto ocupava a presidência da Câmara, se manteve calado mesmo com as obras paralisadas já naquela oportunidade. Com esse discurso quer livrar a cara de quem?
NOTÓRIO
Dois representantes da Serra da Cantareira na Câmara tem sido motivo de análises e comentários. Quem tem por hábito assistir as sessões legislativas nota, de imediato, o constrangimento que há entre Marcinho da Serra e Fernando Ribeiro. Se perguntados, claro, vão negar. Mas é visível.
A PRIMEIRA
Nem bem o ano legislativo começou e foi apresentada a primeira proposta de concessão de título de cidadania. O autor da façanha é o vereador Nil Dantas, que quer ‘homenagear’ um pastor. Se tudo muda na vida com rapidez espantosa, isso ainda não chegou ao legislativo local. Por aqui tem se a impressão que tempo parou. A coluna sugeriu dezenas de vezes que se fizesse uma ‘chuva’ de títulos, jogados de avião, e quem pegasse bastaria levar o pergaminho para o competente carimbo da Câmara. É um insulto à inteligência do povo essas concessões de cidadania, muito longe, longe mesmo de serem meritórias. Foram transformadas em instrumento político.
CONSERTO
Logo na primeira sessão do ano, semana passada, a Câmara errou feio. Não se sabe se por descuido, ou por pressão política. Fato é que o vereador Marcinho da Serra ficou de fora das comissões permanentes cujos nomes dos integrantes foram lidos durante a estreia legislativa, o que não é permitido. Na terça-feira foi lida a nova formação, mas como já se esperava, o vereador foi indicado para cargos do mesmo calibre ao da Rainha da Inglaterra, ou seja, não apita nada.
FILME VELHO
O amigo leitor ganha um brinde se conseguir adivinhar quais os temas abordados pelos vereadores nas indicações apresentadas. Isso mesmo que o leitor pensou: operação tapa-buracos, patrolamento e cascalhamento e por aí vai. Filme velho que parece não ter fim.
DEPUTADO (I)
A diferença de uma cidade ter ou não um deputado que trabalhe de verdade por ela, influi na conquista de recursos e outros benefícios. Em pouco mais de 30 dias, o deputado Edmir Chedid já carreou mais de R$ 4 milhões para Bragança Paulista. E não fez isso apenas agora, em que o prefeito é seu pai. Não! Fez ao longo dos últimos doze anos e recebeu a maior votação já dada a um político naquela cidade, nas eleições de 2014. Foram mais de 60 mil votos. Mairiporã insiste em apoiar deputados que só se lembram dela de quatro em quatro anos.
DEPUTADO (II)
Passados dois anos e meio das eleições de 2014, alguém ouviu falar que os deputados Miguel Haddad (federal) e Fernando Capez (estadual) destinaram alguma verba para Mairiporã? Ou pelo menos fizeram uma visitinha à cidade? Nenhuma, nem outra. Levaram daqui, com apoio de Aiacyda, expressiva votação. Essa é a diferença quando se tem um deputado da própria cidade ou, pelo menos, da região.
FISCAIS
Nenhum dos 13 vereadores se debruçou sobre problemas sérios deste início de governo, que estão custando caro aos cofres da Prefeitura, que em última análise significa prejuízo à população. Nada se cobrou sobre a abertura do novo hospital e da reabertura do centro educacional. Ambos os prédios, segundo a Prefeitura, estão com problemas em suas estruturas. Até quando vai isso? Os dois prédios vão se transformar em ‘elefantes brancos’? Os vereadores poderiam deixar um pouco de lado a prática de apresentar indicações que nunca foram atendidas e dar prioridade a questões de interesse de toda a coletividade. Os chamados ‘fiscais do povo’ até agora nem esboçaram qualquer passo nessa direção.
OAB
Depois da Câmara, a OAB de Mairiporã endereçou agora ofício ao prefeito, para que forneça informações à entidade, sobre o grau de escolaridade, qualificação profissional e salário de todos os nomeados para cargos em comissão no serviço público municipal. Segundo a OAB, a entidade tem como deveres a função fiscalizatória e seguir as orientações do Tribunal de Contas do Estado.
VENENO
O chefe do Executivo, nos últimos anos, fez das redes sociais um instrumento para atormentar e tecer críticas ao governo de seu antecessor. Foi um salseiro. Muitos aderiram ao chamamento do então ex-prefeito. Uma vez no cargo, experimenta do próprio veneno, pois as redes sociais lhe cobram tudo aquilo que prometeu e que disse faria diferente.
PORTARIA
O site oficial da prefeitura não traz publicada a portaria nº. 14.439/2017, de 2 de janeiro, que nomeou os secretários municipais. Nem mesmo a edição desse dia, da Imprensa Oficial, pode ser localizada no site. Que mistério existe nesse modo de agir? Há algo a ser escondido? Com a palavra, o prefeito.

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