O que muda na Câmara?

E não é que aconteceu! A tão sonhada renovação no quadro de vereadores para os próximos quatro anos foi feita. Das treze cadeiras, sete terão ocupantes que podem ser considerados ‘marinheiros de primeira viagem’, com direito a representatividade de praticamente odos os segmentos da cidade.
O prefeito vitorioso elegeu cinco parlamentares e, teoricamente, a oposição os outros oito. Se isso vai se repetir na prática é outra história. Não acredito em grupo oposicionista ao prefeito. As últimas três legislaturas foram prova cabal de que é quase impossível um grupo se formar para, como manda a cartilha, fiscalizar e combater o bom combate com o Executivo.
A tendência, já observada logo após o pleito, é um alinhamento com o prefeito, que assim manterá tudo como dantes no qualquer de Abrantes, sem que propostas importantes sejam apresentadas e, pelo menos, discutidas.
Em se tratando de Mairiporã, repito, não acredito em poderes distintos nem em discussões profundas e acaloradas a cada votação. Os atrativos que o Executivo oferece em troca de apoio são inúmeros, embora neste momento de arrocho na economia não se possa mensurar se o erário municipal pode arcar com muitas nomeações de apadrinhados e cabos eleitorais.
Dos cinco vereadores mais votados, quatro são da oposição. Mas dificilmente essa situação irá se manter. Faz tempo que perdura nessa relação a total ausência de equilíbrio entre os dois poderes.
As conversas de bastidores em busca de apoio na Câmara já começaram logo no dia seguinte à eleição. Não é espantoso? Depois de agressões durante o período eleitoral, tudo foi esquecido numa espécie de amnésia coletiva. É bem verdade que a princípio houve três ou quatro que resistiram conversar. Puro teatro. Ao longo dos dias isso foi quebrado.
O cenário, portanto, dificilmente será diferente do que estamos acostumados a ver. Se os eleitos tivessem a capacidade de compreender que o Legislativo não deve estar atrelado ao Executivo, quem sabe discussões importantes e votações imprescindíveis para a sociedade ocorreriam. Mas a divisão de cadeiras não aponta nessa direção.
Como visto em outras oportunidades, os debates de temas caros à população serão superficiais. Mas torço, sinceramente, que esse jogo político tenha uma divisão equânime de forças que beneficie a cidade.
Por enquanto, sonhar ainda não implica em pagar impostos.

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